Um ano após a morte do fotógrafo mineiro Sebastião Salgado, familiares, amigos e colaboradores se reuniram nesse sábado (23/5) para prestar homenagens ao artista em Aimorés, no Vale do Rio Doce. A cerimônia ocorreu na Fazenda Bulcão, propriedade histórica da família Salgado que se tornou símbolo de recuperação ambiental graças ao trabalho desenvolvido por ele e pela esposa, Lélia Wanick Salgado.
Durante a homenagem, os participantes depositaram flores ao redor de uma peroba onde estão as cinzas do fotógrafo. Como forma simbólica de continuidade do legado deixado por Salgado, cada pessoa levou uma muda de planta ornamental do local.
A Fazenda Bulcão ficou conhecida internacionalmente pelo processo de reflorestamento conduzido pelo casal ao longo das últimas décadas. A área, que havia sofrido forte degradação ambiental, passou por um amplo trabalho de restauração da Mata Atlântica e hoje é reconhecida como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). A iniciativa deu origem ao Instituto Terra, organização voltada para recuperação ambiental e desenvolvimento sustentável na região da Bacia do Rio Doce.
O projeto resultou no plantio de cerca de 2,7 milhões de árvores e na recuperação de aproximadamente 600 hectares de floresta. Com o passar dos anos, a área voltou a abrigar diversas espécies da fauna e flora nativas, incluindo animais ameaçados de extinção.
Reconhecido como um dos maiores fotógrafos documentais do mundo, Sebastião Salgado nasceu em Aimorés, em 1944, e construiu uma carreira marcada por imagens em preto e branco que retrataram questões sociais, migrações humanas, trabalho e meio ambiente. Ao longo de mais de cinco décadas de trajetória, percorreu mais de 120 países registrando conflitos, pobreza, deslocamentos populacionais e paisagens naturais.
Entre seus trabalhos mais conhecidos estão os registros dos garimpeiros da Serra Pelada, feitos nos anos 1980, além dos projetos “Trabalhadores” e “Êxodos”, que ganharam reconhecimento internacional pela forma sensível e impactante de retratar a condição humana.
Sebastião Salgado morreu em 2025, aos 81 anos. Ele enfrentava um distúrbio sanguíneo associado a uma malária contraída durante uma viagem à Indonésia. Em 2024, o fotógrafo já havia anunciado sua aposentadoria do trabalho de campo, afirmando que o corpo sentia os efeitos acumulados de décadas atuando em ambientes extremos e desafiadores.
