O vice-governador eleito de Minas Gerais, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), afirmou que a equipe de transição vai precisar de acesso integral aos dados e documentos da administração estadual para preparar o início do governo de Cleitinho Azevedo (Republicanos). Falcão vai coordenar os trabalhos e disse esperar uma boa relação com a gestão de Mateus Simões (PSD).
“Sobre a transição, nossa expectativa é que esse processo aconteça de forma transparente, respeitosa, colaborativa, com boa relação com o atual governo e acesso total às informações, aos dados necessários para que a gente possa fazer esse trabalho, conhecer a real situação do Estado”, afirmou.
Falcão também chamou a atenção para o cenário fiscal que a próxima gestão vai enfrentar. Segundo ele, Minas tem déficit previsto de quase R$ 9 bilhões para 2027 e dívida com a União superior a R$ 200 bilhões.
“O cenário atual exige seriedade, responsabilidade e disposição para enfrentar os problemas. Para isso, precisamos conhecer a realidade do Estado, identificar os principais desafios e trabalhar na construção de soluções concretas”, disse.
O vice-governador eleito também citou dificuldades nas áreas de saúde e infraestrutura. A equipe de transição deve reunir profissionais de Direito, economia, administração pública, saúde, educação e meio ambiente.
Relação com municípios
Ex-prefeito de Patos de Minas e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Falcão afirmou que o diálogo com as prefeituras será uma das prioridades do trabalho.
“Os recursos são poucos nos municípios, os problemas estão lá. A prestação do serviço ocorre lá. Então, as maiores dificuldades estão nos municípios”, afirmou.
A comissão já realiza reuniões internas para definir prioridades e deve abrir canais de diálogo com municípios, outros entes federativos e setores da iniciativa privada.
Histórico de atritos
A defesa de uma transição baseada em diálogo, transparência e acesso às informações ocorre após meses de divergências públicas entre Falcão e o atual governador, Mateus Simões (PSD).
Os atritos ganharam força quando Falcão presidia a AMM e passou a cobrar do governo estadual o pagamento de despesas assumidas pelas prefeituras, principalmente em áreas de responsabilidade do Estado.
Em janeiro, a deputada estadual Lud Falcão, esposa do vice-governador eleito, afirmou ter recebido uma ligação de Simões após críticas feitas pelo marido à administração estadual. Segundo ela, o então vice-governador teria condicionado o atendimento de demandas apresentadas pela parlamentar a uma retratação de Falcão. Simões negou ter feito ameaças.
As divergências continuaram ao longo do ano, com críticas de Falcão à situação das rodovias, da saúde e à relação do governo estadual com os municípios.
Agora, à frente da equipe de transição, ele afirma que o trabalho será concentrado no levantamento de informações e na preparação da próxima administração.
“O compromisso é fazer uma transição técnica, organizada, com transparência, diálogo, escuta e responsabilidade”, concluiu.