A próxima terça-feira, 8 de setembro, merece ser marcada no calendário político de Minas Gerais. Não porque a eleição será decidida neste dia. Evidentemente, não será.
Mas porque teremos uma das primeiras pesquisas capazes de mostrar se a campanha que começou nas ruas, na televisão, nas redes sociais e nas viagens pelo interior está conseguindo produzir algum efeito real no eleitor.
Uma nova pesquisa Quaest, exclusivamente sobre Minas, foi registrada no dia 2 de setembro. Serão ouvidos 1.506 eleitores entre os dias 4 e 7. O levantamento vai medir intenção espontânea e estimulada para o Governo de Minas, cenários de segundo turno, rejeição, firmeza do voto, disputa para o Senado e ainda questões importantes de políticas públicas.
Não existe resultado novo ainda. Existe uma fotografia sendo preparada. E ela chega num momento muito melhor da campanha para medir movimento.
Até aqui, Cleitinho Azevedo conseguiu manter uma liderança confortável. Na Quaest anterior aparecia com 29%. Na Real Time Big Data, divulgada poucos dias depois, chegou a 33%.
Cleitinho continua estacionado perto dos 30%
O senador mineiro construiu uma candidatura muito baseada em comunicação direta, presença no interior, discurso anti sistema e independência em relação às estruturas tradicionais.
Agora começa outra fase.
É quando seus adversários passam a ter mais exposição, mais recursos, mais televisão e campanhas mais profissionalizadas.
É preciso saber se isso produz efeito.
O destino de Mateus Simões
Aqui existe uma curiosidade eleitoral difícil de ignorar.
A pesquisa Real Time mostrou aprovação de 56% para sua administração, mas apenas 11% de intenção de voto para ele. Muita gente aprova o governo, mas não necessariamente escolheu o candidato do governo.
Essa diferença é gigantesca. Talvez seja hoje o maior problema estratégico da campanha de Simões.
Porque aprovação administrativa é uma boa notícia para qualquer governante. Mas eleição não é concurso de aprovação.
No fim da urna, o eleitor precisa colocar o nome do candidato, e fica uma pergunta:
Será que Simões começou a transformar a avaliação positiva do governo em voto?
O problema de Kalil
É um político conhecido, já governou Belo Horizonte, tem recall eleitoral e estrutura para disputar.
Mas precisa demonstrar reação. Com campanha na rua e recursos disponíveis, a cobrança passa a ser objetiva: os números começaram a andar?
Flávio Roscoe sob observação
Sua campanha recebeu injeção de recursos e passou a ter maior exposição. Daí a necessidade de que a capacidade dessa estrutura financeira produza votos.
Flávio tem propostas, principalmente em desenvolvimento e visão administrativa, e sua condução na gestão na presidência da FIEMG é um excelente cartão de visitas. Sua campanha agora tem que mostrar um candidato que seja capaz de usar esses atributos para mudar a vida dos eleitores.
Gabriel busca sair da bolha urbana
A campanha do MDB está diante de um desafio. As propostas do candidato surtem efeito em formadores de opinião, a questão é fazer o eleitor médio entender essa mensagem.
A decisão do MDB ampliar o debate e colocar a renúncia de Alexandre de Moraes na pauta, pode seduzir um eleitor que não pertence ao universo de Gabriel
Entendendo as pesquisas
Não devemos transformar qualquer oscilação de dois ou três pontos numa revolução eleitoral.
Pesquisa tem margem de erro. Movimentos dentro dela são sinais, não sentenças.
Mas política também é feita de tendências. Se uma oscilação aparecer agora e voltar a aparecer na pesquisa seguinte, aí sim teremos um movimento digno de atenção.
Só que talvez a parte mais interessante da nova Quaest nem esteja na pergunta sobre quem lidera.
A pesquisa vai colocar o eleitor diante de temas concretos. Vai abordar a privatização da Cemig, as câmeras corporais nos uniformes policiais, vai medir ainda a prioridade dada à integração entre metrô e ônibus nas regiões metropolitanas.
E talvez esteja aí o melhor aspecto de todo o levantamento.
Durante semanas, parte importante da campanha mineira falou sobre Lula, Flávio Bolsonaro, Alexandre de Moraes, Brasília e os conflitos nacionais.
Agora alguém resolveu fazer uma pergunta perigosamente diferente: o que os mineiros pensam sobre Minas?
É disso que uma eleição estadual deveria tratar.
Energia. Transporte. Segurança pública. Serviços. Prioridades concretas.
A pesquisa da vaga para o Senado
A disputa pelo Senado também ganhará uma fotografia especialmente interessante. Serão duas vagas, e a Quaest vai medir primeira e segunda escolhas, rejeição e firmeza do voto.
Na última Real Time, Marília Campos apareceu isolada na liderança, com 24%, enquanto Carlos Viana e Domingos Sávio tinham 13%, Marcelo Aro 12% e Áurea Carolina 9%.
Agora haverá ainda o efeito da entrada de Aécio Neves na disputa.
O Senado mineiro, portanto, pode começar a ganhar uma configuração completamente nova.
A importância do dia 8
Dia 8 não será o dia de decretar vencedores e derrotados.
Mas poderá ser o primeiro grande exame de sangue desta campanha. Até agora, candidatos e marqueteiros contam histórias sobre crescimento, reação, mobilização e força política.
Na terça-feira, teremos números. E os números têm um defeito maravilhoso.
Eles costumam ser muito menos produzidos do que os discursos de campanha.