A chegada do tucano na disputa pelo Senado balançou o cenário e está perturbando o sono de outros candidatos. Além de contar com o voto de centro que ajudaria a encorpar a somatória de muitos concorrentes, Aécio tem o recall de 40 anos de vida pública e do bem embrulhado Déficit Zero num Estado que agora tem a dívida com a União como um dos problemas principais. Ele tem também o saudosismo de muitos prefeitos pelo interior, que podem ajudá-lo na campanha que vai começar atrasada pelo Estado.
Carlos Viana, Domingos Sávio, Marcelo Aro, Superman e Marília Campos talvez sejam os mais afetados. Eles poderiam ser, senão a primeira, a segunda opção de muito eleitor de direita, que agora pode preferir um nome mais experimentado politicamente.
Mas a Marília talvez seja a mais prejudicada. A prefeita, que tem como ativo principal extrapolar a barreira do PT, tentou por muito tempo não fazer uma campanha colada no partido justamente de olho nesse voto de centro. Era esse o raciocínio, inclusive, para ser o segundo voto de muito eleitor mais moderado.
E o segundo voto é extremamente importante numa disputa dupla para o Senado. Foi por causa dele – e da rejeição – que Dilma partiu do já ganhou para a derrota em 2018.
Outro ponto que preocupa a campanha é o foco municipalista de Aécio. O tucano ainda mantém boas relações com prefeitos da época em que foi governador. E Marília dedicou tempo por meses viajando o Estado para construir essas relações.
Após o baque inicial, pessoas próximas à campanha da ex-prefeita acreditam que não haverá mudança drástica na estratégia, mas sim que a petista possa redefinir a rota e acenar mais à esquerda. O impacto na campanha da companheira de chapa Áurea Carolina não seria uma preocupação de alguém que nunca a quis ao seu lado e que está em uma campanha vista com pouquíssimas chances de vitória.