Minas Gerais tem uma contradição que deveria nos incomodar. Somos extraordinariamente ricos em capacidade empresarial, centros de pesquisa, recursos naturais e universidades. Ainda assim, essa riqueza não se transforma, na velocidade necessária, em produtividade, renda e tecnologia.
Mais de 80% dos depósitos conhecidos de lítio do Brasil estão em Minas Gerais. Araxá responde por parcela majoritária da oferta mundial de nióbio. Temos uma agricultura altamente competitiva e instituições como Emater-MG, Epamig, Fapemig, UEMG e Unimontes. O desafio não é descobrir o que Minas Gerais possui. É fazer melhor uso do que já temos.
Desenvolvimento econômico sustentável depende do aumento contínuo da produtividade. E produtividade cresce quando conhecimento, empreendedorismo e investimento conseguem se encontrar.
Por isso, Minas Gerais precisa aproximar definitivamente as empresas das universidades. A Fapemig deve financiar mais pesquisa aplicada e criar instrumentos específicos para pequenas e médias empresas de base tecnológica. Centros de pesquisa espalhados pelo Estado precisam trabalhar também sobre problemas concretos das economias regionais. Distritos de inovação e programas de residência tecnológica podem aproximar empresas, mercado e pesquisadores.
Na mineração, a mudança precisa ser ainda mais evidente. Possuir lítio, nióbio, terras raras e outros minerais críticos não garante desenvolvimento. A política pública deve criar condições para que uma parcela crescente do valor seja produzida aqui, com fornecedores, indústria, pesquisa, processamento e tecnologia. É assim que recurso natural se transforma em conhecimento e emprego qualificado.
Isso exige também um Estado previsível. Empresa investe quando encontra infraestrutura, mão de obra qualificada e regras que não mudam a cada governo. O poder público não precisa escolher empresários vencedores. Precisa construir boas instituições, avaliar resultados e criar um ambiente no qual quem produz melhor possa crescer.
Minas Gerais já tem boa parte dos ingredientes. O próximo salto não virá simplesmente de extrair mais riqueza do nosso território. Virá da nossa capacidade de agregar valor, aplicar conhecimento e aumentar produtividade.
Esse é o caminho para transformar aquilo que Minas Gerais possui debaixo da terra e dentro das nossas universidades em desenvolvimento que permaneça aqui.