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Em convenção do PT, Lula promete investir em defesa e proteger terras raras de China e EUA

Por Agência Estado Rede 98
02/08/2026 16:52 Atualizado há 14 minutos
lula discursando em convenção do pt
'Tem muita gente metendo o dedo no nosso nariz', disse Lula (Foto: x.com/@ptbrasil)

Por Levy Teles e Alessandra Monnerat

O PT aprovou oficialmente a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste domingo, 2. No evento, o petista repetiu o discurso de defesa da soberania e disse que não vai deixar nem a China nem os Estados Unidos interferirem em temas como a exploração de terras raras. “Tem muita gente metendo o dedo no nosso nariz”, disse, acrescentando: “Essas terras raras, nem chinês, nem americano, nem francês, vão meter o dedo nas nossas terras raras”, afirmou

O presidente prometeu mais investimentos na área da Defesa. Ele destacou o tamanho das fronteiras e das riquezas naturais brasileiras. “Eu quero estar preparado para ninguém invadir esse País para levar esse presidente, como eles invadiram (a Venezuela). Eu quero estar preparado para a paz, não para a guerra. Eu quero estar preparado para ninguém ousar se fazer de besta com a gente”, discursou.

Ele também prometeu “brigar” com os parlamentares por causa de emendas parlamentares. O petista criticou uma “inversão” no Orçamento, em que deputados podem indicar bilhões enquanto o Poder Executivo tem que fazer cortes milionários em programas de saúde e educação. Ele prometeu até mesmo vetar uma indicação de emendas do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP).

“A minha quarta Presidência é pra mudar muita coisa nesse País. Vai ter briga com emenda parlamentar. Vai ter briga com o papel que tem hoje o Poder Legislativo”, discursou a apoiadores reunidos na Zona Norte de São Paulo.

“Eu sou triste com a política de hoje. Esse negócio de fundo partidário não me agrada. Está levando os partidos à promiscuidade”, afirmou. “Tem partido que recebe R$ 1 bilhão, sem prestar contas ao povo brasileiro. Muitas vezes no Poder Executivo temos que cortar R$ 10 milhões de uma escola, de um programa de saúde”.

Lula criticou o que vê como uma perda de poder do Executivo. “Eu não posso permitir que o presidente da República vá perdendo os seus direitos. Vai perdendo o direito de criar agência, de indicar ministro da Suprema Corte… Ou seja, daqui a pouco, qual é o direto que tem o presidente da República? Nenhum!”

Apesar de prometer “briga” e “ousadia” nessas duas questões, no restante do discurso Lula prometeu diálogo e união. Ele destacou sua longa trajetória política, afirmando estar jogando a “sétima Copa” do Mundo e querendo ser “tetra”. “Preparar a campanha é que nem preparar a Seleção. Tem que ser melhor que o Ancelotti. Nós temos time, nós temos futebol, temos o que entregar, temos argumento”, brincou.

Ao longo da fala, Lula citou muitos aliados históricos, como Eduardo Campos, Miguel Arraes, Antônio Cândido, Henfil, Betinho e Paulo Freire. O petista buscou posicionar seu partido como representante da democracia.

“A essência do PT é um partido político que ensinou a esquerda a viver democraticamente na diversidade. A esquerda não conversava”, afirmou. “Quando eu criei o Foro de S. Paulo em 1990, eu achei que a gente podia educar a esquerda da América Latina. Para tentar dizer para toda a esquerda que a melhor via não era da luta armada, era da organização do povo, da eleição direta. E assim ganhamos vários países da América Latina, pela democracia, sem matar e sem morrer ninguém”.

Ele acrescentou que a ideia de criar o PT ajudou a construir o Brasil. “A gente conseguiu criar um partido em que é quase todo mundo sindicalista. Quase toda a esquerda revolucionária passou a trabalhar conosco, mesmo tendo divergências, cada um continuou com sua tese revolucionária, mas todos acatam as decisões que o partido toma, porque o partido é o guarda-chuva que unificou a esquerda”, disse.

Janja, Alckmin e Haddad destacam trajetória de Lula

Lula chegou acompanhado da primeira-dama Janja da Silva, vestida com uma camiseta estampada com uma imagem do presidente criança. Eles estavam também com o candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT), do candidato à vice-Presidência Geraldo Alckmin (PSB) e das esposas dos dois, Ana Estela Haddad e Lu Alckmin.

Antes de começar o discurso, Lula criticou a decisão do partido de não colocar mulheres para discursar ao vivo – além do presidente, apenas Haddad, Alckmin e Edinho Silva falaram no palco. Ele então passou a palavra para Janja, que falou que são as mulheres que vão eleger Lula.

A primeira-dama afirmou que Lula “é o único líder que tem a coragem de sentar numa mesa do G7” e falar sobre o combate à violência contra as mulheres. Janja disse dividir com Lula a missão de transformar o Brasil em um País inclusivo. “Por mais que eu quisesse, meu amor, pegar na sua mão e sair por aí pelo mundo, a minha missão se transformou na sua missão”, ela disse, antes de dar um beijo no marido.

Esse foi um tema retomado por Lula em seu discurso: “O cara tem que escolher: ou ele vota em mim ou ele bate na mulher. Eu quero criar uma sociedade de respeito, de compartilhamento, em que as pessoas vivam em harmonia. A luta contra a violência contra as mulheres, não é só das mulheres, é de nós homens, que somos os violentos, que achamos que somos os donos delas”.

Seguindo a linha de campanha proposta pelo partido, Haddad descreveu Lula como um líder experiente e seguro, preparado para defender com “altivez” a soberania do Brasil. Ele disse que o País precisa de um líder que não abaixa a cabeça, nem coloca “o boné de presidente de nenhum outro país”. “O mundo está muito turbulento. O mar está revolto. Em um momento como esse, você precisa de um marujo confiável, experiente”, afirmou.

O ex-ministro da Fazenda citou a “trajetória épica” de Lula, reforçando que ele é uma figura estável e confiável. Haddad disse que o presidente “saiu das entranhas desse País, de Garanhuns” e “nunca traiu os seus princípios de vida, nunca traiu o Brasil”. O candidato ao governo ainda destacou a aliança entre Lula e Alckmin, falando que os dois “salvaram a democracia” brasileira.

No seu discurso, Alckmin também falou de democracia. Ele disse que a eleição de 2022 foi fundamental para evitar um golpe de Estado e fez indiretas ao adversário Flávio Bolsonaro, que divulgou afirmações falsas sobre o processo eleitoral.

“Imagine se eles tivessem ganhado as eleições; quem não acredita no voto popular não deveria nem ser candidato a presidente. A descrença nas urnas é cheiro de derrota. A urna eletrônica é tão competente que não aceita voto de argentino nem de americano”, afirmou, em referência a aliados de Flávio, os presidentes Javier Milei e Donald Trump.

O discurso de Alckmin também buscou contrastar os feitos do governo Lula com os da gestão de Bolsonaro. Ele listou avanços na Reforma Tributária, na indústria e no meio ambiente.

Outras figuras que subiram ao palanque foram os dirigentes partidários das legendas em coligação com o PT: PSOL, Rede, PV, PCdoB, PSB e PDT. O presidente do PT, Edinho Silva, discursou dizendo que as eleições brasileiras vão influenciar o futuro da América Latina e da democracia mundial, pedindo união do campo político da esquerda. “O Brasil pode derrotar o fascismo e mostrar que o mundo também pode”, afirmou.

Ele também convidou a militância para um grande evento previsto para acontecer na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, daqui a duas semanas. A expectativa é que esse seja o grande marco inicial da campanha.

Lula chegou ao palco ao som do jingle “Tapete Vermelho”. A música, de inspiração gospel, diz que o mundo estendeu um “tapete vermelho para o filho do Nordeste”. O vídeo que acompanha a canção explora imagens de Lula com líderes mundiais e inclui até mesmo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com quem a gestão petista tem tido embates.

Apesar de exibir cenas de Lula sendo recebido por Trump nos EUA, o discurso do petista tem falado em soberania e colocado o presidente norte-americano como um oponente que quer interferir nas eleições brasileiras.

Convenção teve proposta ‘cênica’

O PT realizou neste domingo, 2, em São Paulo convenção nacional do partido que oficializou Lula como candidato à reeleição pela legenda, novamente com Alckmin como vice.

Milhares de petistas se reuniram para acompanhar o evento, que teve proposta mais “cênica”, com pronunciamentos curtos dos principais nomes da legenda e da campanha para serem divulgados nas redes sociais. O mestre de cerimônias foi o ator Ailton Graça.

A cerimônia foi transmitida pelo canal do YouTube do PT. Entre os nomes que falaram, estavam Marina Silva, Simone Tebet, Benedita da Silva e Márcio França. Durante a transmissão, no momento em que Benedita discursava, apareceu, fazendo L, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, condenado no processo do mensalão. Também estava na plateia o ex-presidente do PT José Genoino, outro que foi condenado no caso do mensalão, processo julgado pelo Supremo Tribunal Federal na primeira gestão do petista.

Lula vai disputar a sétima eleição ao Palácio do Planalto tendo como mote de campanha a ideia de que representa o caminho seguro para impedir a entrega do Brasil a “aventureiros”. A convenção do PT deu pontapé inicial nesta estratégia, definida nos bastidores como a versão 3.0 do “nós contra eles”.

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