A Federação PSOL-Rede decidiu, por 4 votos a 3, apoiar a candidatura de Alexandre Kalil (PDT) ao governo de Minas Gerais nas eleições deste ano. A decisão divulgada nesta segunda-feira (10/08), foi aprovada após semanas de negociações entre os dois partidos, expôs um racha interno na federação e pode ter vida curta.
Apesar da definição, o impasse dentro da federação deve continuar. Segundo apuração da Rede 98, o PSOL apresentou recurso à Executiva Nacional da Federação contra a decisão tomada em Minas Gerais. A expectativa é que o pedido seja aceito e que a direção nacional determine o apoio à candidatura de Patrus Ananias (PT), revertendo a posição aprovada no estado.
A divisão ocorreu porque os representantes da Rede votaram pelo apoio a Kalil, enquanto o PSOL defendeu a aliança com Patrus. A deliberação preservou ao PSOL a liberdade para manifestar apoio ao candidato petista, mesmo com a decisão estadual favorável ao pedetista.
Além da definição sobre o Governo de Minas, a federação reafirmou como prioridade a candidatura de Áurea Carolina ao Senado e o fortalecimento das chapas para deputado federal e deputado estadual nas eleições deste ano.
Federação critica articulação da esquerda em Minas
Na resolução aprovada, a Federação PSOL-Rede afirma que faltou uma discussão mais ampla entre os partidos do campo progressista para construir uma candidatura única ao governo de Minas. Segundo o documento, a condução das negociações dificultou uma composição capaz de unificar a esquerda na disputa estadual.
A federação também avalia que Alexandre Kalil reúne condições de construir uma candidatura competitiva e dialogar com diferentes setores da esquerda e do centro democrático. O texto defende que Minas Gerais precisa de uma alternativa ao grupo político que governa o estado desde 2019, com propostas voltadas para as áreas social, econômica e ambiental.
Mesmo optando pelo apoio a Kalil, a resolução destaca o respeito à trajetória política de Patrus Ananias e às contribuições do ex-ministro para as políticas públicas e para o campo democrático, motivo pelo qual foi mantida a liberdade de posicionamento do PSOL.
Negociação por Áurea Carolina antecedeu decisão
A definição ocorre depois de semanas de negociações envolvendo a Federação PSOL-Rede e a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. Como mostrou a Rede 98, o principal impasse era a composição da chapa majoritária, especialmente a segunda vaga ao Senado.
Durante as tratativas, a Federação PSOL-Rede defendeu que Áurea Carolina ocupasse a vaga, argumentando que a ex-deputada federal possuía desempenho eleitoral e estrutura partidária suficientes para integrar a chapa. O espaço também era reivindicado pelo PSB, que negociava participação na coligação.
As conversas terminaram com um acordo entre os partidos. O PT confirmou Áurea Carolina como segunda candidata ao Senado ao lado da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, enquanto o PSB passou a integrar a chapa indicando o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares para a vaga de vice-governador de Patrus Ananias.
Mesmo após esse entendimento, a Federação PSOL-Rede não conseguiu construir consenso sobre qual candidatura apoiaria para o governo de Minas. Enquanto a Rede defendeu a aliança com Alexandre Kalil, o PSOL manteve posição favorável à candidatura de Patrus.
Segundo apuração da Rede 98, a direção nacional da federação deve analisar nos próximos dias o recurso apresentado pelo PSOL. A expectativa é que a instância nacional reverta a decisão aprovada em Minas Gerais e oficialize o apoio da Federação PSOL-Rede à candidatura de Patrus Ananias ao governo do Estado.