O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (21/8), que tem buscado diretamente os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, para defender negociações em torno dos conflitos internacionais. Durante ato de campanha na Praça da Estação, em Belo Horizonte, Lula relatou as conversas e cobrou uma atuação conjunta das principais potências para tentar encerrar as guerras.
Nesta sexta, Lula conversou por telefone com Trump durante cerca de 1h20. Além das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e do combate ao crime organizado, os dois presidentes trataram dos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio e defenderam soluções negociadas.
No discurso em Belo Horizonte, Lula lembrou que já havia procurado Xi Jinping e Putin antes de conversar com o presidente norte-americano. Segundo ele, o objetivo é pressionar os países que integram permanentemente o Conselho de Segurança das Nações Unidas a assumirem maior protagonismo nas negociações de paz.
‘Faltava falar com Trump’
Ao relembrar os contatos, Lula afirmou que conversou por mais de uma hora com Xi Jinping e pediu ao líder chinês uma articulação entre as grandes potências.
Na sequência, o presidente citou a conversa com Putin e afirmou ter defendido o fim dos conflitos e a abertura de negociações. “Vamos discutir, vamos negociar, cara”, relatou Lula ao reproduzir parte do que disse ao presidente russo.
Depois dos dois contatos, segundo Lula, “faltava falar com Trump”. A conversa ocorreu nesta sexta-feira. No ato em Belo Horizonte, ele afirmou ter sugerido ao norte-americano que uma articulação entre as potências seja feita durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro.
“Convida o Xi Jinping e convida o Putin […] e vamos tentar encontrar um jeito de fazer paz. O mundo está precisando de paz, não está precisando de guerra”, afirmou.
Tarifas também entraram na conversa
Além das guerras, Lula afirmou que contestou diretamente com Trump as justificativas utilizadas pelos Estados Unidos para impor novas tarifas a produtos brasileiros. Segundo o presidente, as alegações apresentadas pelo governo norte-americano são “infundadas”. A conversa terminou com sinalização para a retomada das negociações comerciais entre os dois países.
Lula também relatou ter tratado com Trump da cooperação no combate ao crime organizado. O presidente defendeu ações conjuntas entre os dois países, mas ressaltou que o Brasil não aceitará interferências externas em assuntos internos.