O candidato ao Governo de Minas Gerais Gabriel Azevedo (MDB) apresentou, nesta terça-feira (25/8), uma carta de compromissos para desenvolver a cadeia de minerais críticos no estado. O documento foi encaminhado à presidente do Conselho da Associação de Minerais Críticos, Marisa Cesar, e responde a dez propostas apresentadas pela entidade.
Entre os compromissos estão a criação de uma política estadual para minerais críticos e terras raras, o apoio à pesquisa, à transformação mineral e à formação de fornecedores locais. Gabriel também defende investimentos em infraestrutura, qualificação profissional e atração de indústrias para regiões como Araxá, Poços de Caldas e Salinas.
Durante a apresentação, o candidato afirmou que Minas não deve se limitar à exportação de minério. “Não quero que Minas Gerais simplesmente exporte uma nova geração de pedras. Podemos continuar sendo o território de onde sai o minério ou nos tornar o lugar onde ficam o conhecimento, o emprego e a tecnologia”, disse.
Gabriel também destacou a diferença entre minerais críticos e terras raras, conceitos que, segundo ele, costumam ser confundidos no debate público. Minerais críticos são definidos pela importância econômica e pelo risco de interrupção no abastecimento. Já terras raras formam um grupo químico específico, com 17 elementos.
“Crítico é uma condição estratégica. Terra rara é uma classificação química”, afirmou. Segundo ele, a distinção é necessária porque cada cadeia mineral exige pesquisa, infraestrutura e tecnologia próprias.
Compromissos para Minas e Brasília
A carta separa as responsabilidades que caberiam ao Governo de Minas das atribuições do Congresso Nacional e do Governo Federal. No estado, Gabriel promete articular instituições como BDMG, Fapemig, Sisema, UEMG e Unimontes, além de apoiar municípios e preparar projetos de energia, ferrovia e logística.
Já as mudanças no Código de Mineração, na Agência Nacional de Mineração, nas regras de financiamento e em instrumentos federais dependeriam de deputados, senadores e do governo federal.
“A assinatura não transfere competência. Ela distribui responsabilidade e permite cobrança”, afirmou Gabriel. O candidato também prometeu reunir os parlamentares do MDB eleitos em 2026 para acompanhar a agenda de minerais críticos.
Desenvolvimento nos municípios mineradores
Gabriel defendeu que os projetos minerais tragam resultados diretos para as regiões produtoras, com empregos, fornecedores locais, infraestrutura e qualificação. A proposta inclui a participação de comunidades, empresas, municípios e instituições de pesquisa no acompanhamento dos empreendimentos.
“A atividade mineral não gera desenvolvimento territorial automaticamente. O minério pode sair, a arrecadação pode crescer e a comunidade continuar sem oportunidades”, disse.
O plano de governo do candidato prevê ainda uma Política Estadual de Minerais Críticos e Terras Raras. A proposta inclui pesquisa geológica e tecnológica, agregação de valor e atração de centros de desenvolvimento e indústrias.
Segundo o documento apresentado nesta terça, Minas Gerais concentra mais de 80% dos depósitos conhecidos de lítio do Brasil, enquanto Araxá responde por aproximadamente 75% a 80% da oferta mundial de nióbio.
*Estagiário sob supervisão do coordenador Victor Duarte