Cada eleição tem uma história e a definição do tema de cada uma delas depende de vários fatores, como o momento econômico e o perfil dos candidatos. Em 2026, na disputa pelo governo de Minas, o rombo fiscal é o foco. Em especial, o acordo para equacionar a dívida bilionária com a União.
Uma ideia que tem sido aventada por alguns candidatos é a renegociação do débito. Bonito de falar e com o potencial para criar na cabeça do eleitorado a ilusão de que há espaço para desfazer aquela que foi uma das principais apostas da atual gestão. Principalmente quando há um governador tentando a reeleição e uma direita pulverizada em várias candidaturas. Mas daí a esses experientes gestores, legisladores e políticos acreditarem que isso seja possível ou mesmo produtivo, é demais.
Minas reconheceu a dívida. O acordo fechado em 2024 foi amplamente discutido e envolveu as equipes técnicas e políticas do governo do Estado e do Tesouro Nacional, além de governadores, deputados estaduais, federais, senadores e articuladores políticos, inclusive de outros Estados. Muitos dos que pregam agora mudanças participaram das conversas.
A lei que autoriza a renegociação das dívidas dos Estados, não só a de Minas, mas também de Goiás, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, foi sancionada em janeiro de 2025. Em dezembro do mesmo ano, a adesão de Minas ao Propag foi sacramentada. Isso tudo foi discutido, votado, sancionado e virou lei.
Dá para discutir se o governo de Minas dificultou as conversas para nacionalizar a imagem de Zema, que buscava o conflito com o governo Lula para se projetar nacionalmente por meio de um projeto pessoal em detrimento dos interesses do Estado. O mesmo vale para a gestão petista, com o debate se houve má vontade com Minas Gerais porque Zema era um opositor.
Mas a hora de discutir indexador e prazo para transição já passou. A Justiça já se envolveu por tempo demais, com muitas liminares que suspendiam o pagamento da dívida, mas não a sanavam, só postergavam.
Hoje, o que se busca ouvir hoje dos candidatos são propostas que sejam úteis, com vistas ao futuro para viabilizar o crescimento mineiro. Candidatos, o que falta resolver, o que e como será feito? Que parcela dos recursos pagos mensalmente pelo Estado pode retornar em investimentos para os mineiros? Quais ativos podem ser negociados? O que se busca agora é ter resultado.