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A eleitoreira renegociação da dívida de Minas

Por Marina Schettini Rede 98
26/08/2026 06:00
A Cidade Administrativa
Cidade Administrativa de Minas Gerais (Gil Leonardi/Imprensa MG/Divulgação)

Cada eleição tem uma história e a definição do tema de cada uma delas depende de vários fatores, como o momento econômico e o perfil dos candidatos. Em 2026, na disputa pelo governo de Minas, o rombo fiscal é o foco. Em especial, o acordo para equacionar a dívida bilionária com a União. 

Uma ideia que tem sido aventada por alguns candidatos é a renegociação do débito. Bonito de falar e com o potencial para criar na cabeça do eleitorado a ilusão de que há espaço para desfazer aquela que foi uma das principais apostas da atual gestão. Principalmente quando há um governador tentando a reeleição e uma direita pulverizada em várias candidaturas. Mas daí a esses experientes gestores, legisladores e políticos acreditarem que isso seja possível ou mesmo produtivo, é demais. 

Minas reconheceu a dívida. O acordo fechado em 2024 foi amplamente discutido e envolveu as equipes técnicas e políticas do governo do Estado e do Tesouro Nacional, além de governadores, deputados estaduais, federais, senadores e articuladores políticos, inclusive de outros Estados. Muitos dos que pregam agora mudanças participaram das conversas. 

A lei que autoriza a renegociação das dívidas dos Estados, não só a de Minas, mas também de Goiás, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, foi sancionada em janeiro de 2025. Em dezembro do mesmo ano, a adesão de Minas ao Propag foi sacramentada. Isso tudo foi discutido, votado, sancionado e virou lei.

Dá para discutir se o governo de Minas dificultou as conversas para nacionalizar a imagem de Zema, que buscava o conflito com o governo Lula para se projetar nacionalmente por meio de um projeto pessoal em detrimento dos interesses do Estado. O mesmo vale para a gestão petista, com o debate se houve má vontade com Minas Gerais porque Zema era um opositor.

Mas a hora de discutir indexador e prazo para transição já passou. A Justiça já se envolveu por tempo demais, com muitas liminares que suspendiam o pagamento da dívida, mas não a sanavam, só postergavam. 

Hoje, o que se busca ouvir hoje dos candidatos são propostas que sejam úteis, com vistas ao futuro para viabilizar o crescimento mineiro. Candidatos, o que falta resolver, o que e como será feito? Que parcela dos recursos pagos mensalmente pelo Estado pode retornar em investimentos para os mineiros? Quais ativos podem ser negociados? O que se busca agora é ter resultado.

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Marina Schettini
Marina Schettini
Jornalista com passagens pelos jornais O Tempo e Super Notícia. Formada pelo Uni-BH com especialização em culturas midiáticas pela UFMG, tem a política como sua principal área de atuação.