O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) afirmou nesta sexta-feira (28/8), em Belo Horizonte, que uma eventual renegociação da dívida de Minas Gerais com a União, caso seja eleito, estaria condicionada à realização de reformas previdenciária e administrativa pelo estado. A declaração foi dada durante entrevista coletiva no Hotel Ouro Minas, antes de um comício da legenda.
Ben Mendes (Missão), candidato ao governo de Minas, estava na sala onde a coletiva era realizada, mas deixou o local durante a entrevista e não falou com os jornalistas. A saída ocorreu antes da coletiva de Renan Santos.
Questionado sobre a possibilidade de renegociar ou até perdoar a dívida do estado, Renan descartou uma renegociação sem contrapartidas. Segundo ele, estados que buscarem novas condições para pagamento terão de oferecer garantias e assumir compromissos para reorganizar as contas públicas.
“Todas as renegociações vão acontecer sob novos termos: um, tem que colocar garantia; e dois, além da garantia, os estados têm que se comprometer com reformas previdenciárias e administrativas”, afirmou.
Renan argumentou que o governo federal também passaria por mudanças semelhantes caso seja eleito e defendeu que os estados façam o mesmo.
“Ou todo mundo concorda em fazer as mesmas reformas que nós, do governo federal, vamos fazer, ou o Brasil vai ficar fingindo que está vivendo uma aura de normalidade. Ou seja: topa renegociar, mas vai fazer uma reforma previdenciária? Vai fazer uma reforma administrativa?”, questionou.
‘Estados quebrados vão ter que fazer reformas’
Renan atribuiu parte do endividamento dos estados a sucessivos governos e afirmou que renegociações anteriores não foram acompanhadas de mudanças suficientes nas contas públicas.
“Enquanto os estados não olharem para as suas contas públicas e começarem a se reformar, a gente não vai conseguir resolver isso”, declarou.
O presidenciável também defendeu uma revisão do pacto federativo. Segundo ele, Minas está entre os estados que contribuem com grande volume de recursos para a União, mas recebem proporcionalmente menos de volta.
“Minas Gerais é um dos estados menos privilegiados no pacto federativo. É um estado que paga a conta do Brasil, assim como São Paulo paga a conta e outros estados, mas ele não recebe dinheiro a contento”, afirmou.
Renan defendeu ainda que estados mais dependentes de transferências federais ampliem a própria atividade econômica e arrecadação. Para ele, uma redistribuição dos recursos poderia ajudar unidades da Federação que enfrentam problemas fiscais.
“Estados que estão perdulários, estão quebrados, vão ter que fazer reformas”, afirmou.