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Gabriel defende expansão de ferrovias em Minas: ‘Eu não vou terminar, mas vou começar’

Por Igor Teixeira Rede 98
03/09/2026 19:59 Atualizado há 1 hora
(Foto: 98News)

O candidato ao governo de Minas Gerais Gabriel Azevedo (MDB) defendeu, nesta quinta-feira (03/9), a ampliação da malha ferroviária do Estado e afirmou que pretende iniciar projetos que podem ultrapassar o período de um eventual mandato. Durante sabatina da Rede 98 com os candidatos ao Palácio Tiradentes, no 98 Talks, Gabriel disse que seu plano de governo estabelece 15 modais como prioridades e citou uma ferrovia a partir de Pirapora como exemplo de projeto de longo prazo.

Segundo o candidato, a ferrovia levaria entre 10 e 12 anos para ser concluída e poderia demandar até R$ 15 bilhões em investimentos. Gabriel citou debêntures, contratos com portos e produtores e fundos de compensação da União como possíveis fontes de financiamento.

“Você vai falar: ‘Pô, mas por que você vai começar uma obra que leva 12 anos, Gabriel? Você não vai conseguir inaugurar em quatro anos’. É aí que vem o pulo do gato. É caro para fazer e leva tempo para fazer. Mais caro é não fazer e mais tempo a gente vai levar se não começar”, afirmou.

Ferrovia para ampliar competitividade

Gabriel afirmou que a expansão ferroviária poderia reduzir custos de produção e melhorar a competitividade do agronegócio em municípios como Pirapora, Paracatu, Unaí, João Pinheiro, Buritizeiro de Minas e Formoso.

“Na hora que eu boto a ferrovia lá, baixa o preço do fertilizante. Melhora a competitividade do grão”, disse.

O candidato também criticou a baixa participação das ferrovias no transporte de cargas em Minas. Segundo os números apresentados por ele durante a sabatina, apenas 8% das cargas no Estado são transportadas por trens, enquanto 92% seguem por caminhões.

Gabriel afirmou já ter discutido projetos ferroviários com empresas do setor, como Vale e VLI, e disse que há interesse privado na expansão da malha.

“Eu sentei já com a Vale, com a VLI, com todas. Elas têm interesse, o governo não. Todas reclamaram o mesmo”, declarou.

Segundo Gabriel, mais de 20 projetos de short lines já teriam aprovação do governo federal, mas estariam aguardando procedimentos do governo estadual.

“Eu não vou terminar, mas eu vou começar e é isso que tá faltando na política brasileira. Todo mundo quer botar a placa, todo mundo quer cortar a fita, mas começar a planejar dá trabalho mesmo”, afirmou.

Subsídio ao transporte coletivo

Ao abordar o transporte público, Gabriel defendeu a manutenção de subsídios públicos para garantir o funcionamento do sistema e evitar que a população dependa cada vez mais dos automóveis.

“Não existe modelo em que o Estado não vá subsidiar o transporte coletivo, a menos que você queira todo mundo no carro. Não dá conta”, afirmou.

O candidato defendeu, no entanto, que os repasses estejam vinculados a mecanismos de fiscalização e cobrança por qualidade.

“Não é subsídio dado ao léu. Tem fiscalização, tem exigência de qualidade. […] Acredito em subsídio. Só que tem que ser absolutamente transparente. Absolutamente”, disse.

Agência para fiscalizar gastos

Gabriel também apresentou a proposta de criação de uma agência independente para avaliar os gastos e os resultados das políticas públicas estaduais.

Segundo o candidato, a ideia foi inspirada em uma experiência australiana e elaborada com a participação do economista Marcos Lisboa, coordenador de seu plano de governo. O órgão teria autonomia e mandatos próprios, além de reunir economistas e especialistas em análise de dados.

“Economistas, especialistas em microdados, que vão fazer o pente-fino em toda parte orçamentária do governo”, explicou.

Gabriel afirmou que a intenção é avaliar não apenas quanto o Estado destina a cada programa, mas quais resultados são alcançados com o dinheiro público.

“Chega o político no Jequitinhonha: ‘Estamos aqui anunciando um projeto de 300 milhões para não sei o quê’. Vem o slogan, vem a publicidade. Tem 300 milhões para isso. Qual é o resultado? Isso tá gerando resultado?”, questionou.

‘Quem não cuida das contas não cuida das pessoas’

Gabriel também citou o Espírito Santo durante a sabatina como referência para o modelo de gestão que pretende adotar em Minas. O candidato destacou a administração do ex-governador Paulo Hartung e afirmou que pretende aproveitar experiências bem-sucedidas de outros estados.

“Não é a primeira vez que eu cito, nem a última, porque a gente tem que se inspirar. Tem gente boa no Brasil fazendo política pública”, afirmou.

Para Gabriel, equilíbrio fiscal e políticas públicas não devem ser tratados como objetivos opostos. O candidato resumiu a posição em uma frase que, segundo ele, tem repetido durante a campanha:

“Quem não cuida das contas não cuida das pessoas.”

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Igor Teixeira
Igor Teixeira
Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, é repórter de política da 98FM. Tem passagens pela TV Alterosa e Itatiaia.