O candidato ao governo de Minas Alexandre Kalil (PDT) deu uma indireta ao adversário Patrus Ananias (PT), nesta segunda-feira (14/9), ao comentar a situação financeira do Estado. Sem citar o petista nominalmente, Kalil criticou a ideia de deixar o pagamento da dívida mineira em segundo plano para priorizar políticas voltadas à população mais pobre.
A declaração foi dada durante visita ao Sistema Faemg Senar, em Belo Horizonte. Patrus vem defendendo durante a campanha que o foco inicial de um eventual governo deve estar nas necessidades da população, deixando a dívida estadual em segundo plano.
“Falaram aí que o plano do Propag vai ser segundo plano, que primeiro [é preciso] ajudar as populações pobres. Então tem que avisar o candidato que Estado pobre não ajuda ninguém. Quem ajuda é empresário rico pagando muito imposto para a gente poder ajudar”, afirmou Kalil.
A fala faz referência ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), mecanismo que trata da dívida de Minas com a União.
Kalil também falou sobre insegurança alimentar e defendeu que a assistência às pessoas em situação de vulnerabilidade é responsabilidade do poder público. Para sustentar o argumento, lembrou medidas adotadas durante sua gestão na Prefeitura de Belo Horizonte na pandemia de Covid-19.
“Eu acho que cabe ao Estado [combater] a insegurança alimentar. Ela é a única coisa que o Estado tem que fazer, como foi feito na prefeitura. Nós enfrentamos a pandemia, nós tínhamos milhares, para não falar muitos milhares de pessoas com insegurança alimentar, com a cidade fechada, sem poder nem trabalhar. Nós subimos e entregamos comida, entregamos sabonete, entregamos álcool. Esse é um assunto da assistência social”, disse.
Encontro com o agro
Kalil se reuniu com representantes da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg). No encontro, a entidade apresentou demandas do setor e discutiu com o candidato propostas para a agropecuária mineira.
Após a reunião, Kalil afirmou ter sido surpreendido pela dimensão do agronegócio no Estado e disse que pretende ouvir representantes do segmento caso seja eleito.
“Nós viemos aqui escutar. Eu, pessoalmente, fui surpreendido por saber do tamanho que é o agronegócio de Minas Gerais. E o que nós vamos fazer é o que nós fizemos em tudo na nossa vida pública: escutar”, afirmou.
O candidato também defendeu menor interferência do poder público sobre o setor.
“Eles precisam de muito pouco, muito pouco. Eles precisam só de não ser atrapalhados. Então, eu acho que o lema que eu disse ao presidente, eu repito para todos os senhores aqui: muita ajuda quem pouco atrapalha”, declarou.
Kalil ainda afirmou que representantes do agronegócio terão espaço para diálogo em um eventual governo.
“Um setor que produz 25% do PIB de Minas Gerais tem que ser ouvido com paciência e respeito”, concluiu.