O candidato a vice na chapa de Cleitinho, Luís Eduardo Falcão, precisou assumir o posto de bombeiro depois que algumas das principais propostas da campanha começaram a incomodar cabos eleitorais importantes em qualquer eleição para o governo: os prefeitos. Eles têm reclamado que o corte de impostos e o fim de isenções fiscais podem reduzir a arrecadação das prefeituras e prejudicar a economia das cidades, aumentando, por exemplo, o desemprego.
Apesar de avaliar que a insatisfação é pontual e vem de prefeitos ligados ao governo, a campanha se organizou para evitar que o movimento ganhe força. Falcão lidera a investida para convencer os prefeitos e conta com uma rede de 66 gestores divididos pelas microrregiões do Estado. Ex-presidente da AMM (Associação Mineira de Municípios), ele tem dedicado boa parte do seu tempo a conversar com prefeitos e à organização de uma carta encaminhada à associação para tentar acalmar os gestores locais.
Cleitinho também tem viajado, percorrendo cerca de cinco cidades por dia. Já os deputados do Republicanos não entram com força na equação. Em parte pela falta de penetração de alguns deles no interior e pela preocupação com a própria eleição. E também por causa da pouca ligação deles com a campanha de Cleitinho, que nunca teve uma relação partidária forte.
De todo modo, o argumento nas conversas com as lideranças locais, é que os cortes nos impostos serão compensados pelo dinheiro que voltará a circular na economia. E que a pauta municipalista estará garantida pela presença de Falcão, com sua experiência também à frente da Prefeitura de Patos de Minas.
Sem querer fechar um número, integrantes da campanha chegam a falar em compreensão e apoio de quase 200 prefeitos, em sua maioria de cidades com menos de cem mil habitantes. Para chegar a essa conta entra também o cartão de visitas das pesquisas, que colocam Cleitinho na liderança e registram cenários em que ele pode chegar à vitória já no primeiro turno.
Afinal de contas, nada melhor do que contar com a gratidão — e a expectativa — de quem pode sair vencedor da eleição.