O candidato ao Senado por Minas Gerais Jordano Metalúrgico, do PSTU, defendeu a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais, a reestatização de empresas e a desmilitarização da Polícia Militar durante entrevista ao Start 98 News, nesta terça-feira (22/9). O candidato também afirmou ser favorável a garantir aos trabalhadores de aplicativos os mesmos direitos previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Metalúrgico, Jordano disputa pela oitava vez uma eleição desde 2012. Ao falar sobre a candidatura ao Senado, ele afirmou que o objetivo do PSTU é apresentar as propostas do partido e ampliar a participação da classe trabalhadora na política.
“Para nós, o que vai mudar a vida da classe trabalhadora e do povo pobre do nosso país é a gente destruir o sistema capitalista e construir uma revolução socialista”, afirmou.
Segundo o candidato, o partido pretende ampliar o número de candidaturas, mas não considera, neste momento, uma composição eleitoral com outras legendas.
“Se a gente constrói esse partido igual nós estamos construindo com base operária, nós sabemos que é possível ter essa mudança. Nós queremos, sim, inclusive nós queremos eleger, só que a gente vê que o processo eleitoral não é democrático da forma que deveria ser”, disse.
Jordano defende jornada de 36 horas semanais
Uma das principais propostas apresentadas por Jordano durante a entrevista foi a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais, sem redução dos salários.
“Nós defendemos 36 horas semanais. Agora vai ter uma redução para 42, depois para 40. É uma importante vitória da classe trabalhadora, porque esse movimento começou pela classe trabalhadora”, afirmou.
Para o candidato, a redução da jornada poderia melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e também contribuir para a redução de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.
“Em vários países aonde se aplicou essa redução da jornada sem redução dos salários, aumentou os postos de trabalho, diminuiu os acidentes, diminuiu o adoecimento dos trabalhadores, as pessoas têm mais tempo para lazer, têm mais tempo para a família”, disse.
Jordano também criticou a escala 6×1 e defendeu que a discussão sobre redução da jornada avance além das 40 horas.
“Nós temos que ir nesse sentido de, a cada dia que passa, aumentar o tom para reduzir mais a nossa jornada. Nós precisamos de mais tempo para cuidar da saúde da gente”, afirmou.
Reestatização de empresas
Na área econômica, Jordano defendeu a estatização e a reestatização de empresas que foram transferidas para a iniciativa privada. Entre os exemplos citados pelo candidato estão a Vale, a Copasa e o metrô de Belo Horizonte.
“Nós temos que estatizar e reestatizar todas as empresas maiores do nosso estado que foram vendidas a preço de banana, sob o controle dos trabalhadores”, afirmou.
Ao citar a Vale, o candidato questionou o processo de privatização da empresa.
“Se a gente pegar aqui o exemplo da Vale, ela foi vendida e, no seu primeiro ano, o lucro dela já pagou o preço que ela foi vendida”, disse.
Jordano também se posicionou contra parcerias público-privadas em áreas como saúde, educação e infraestrutura. Para ele, os serviços deveriam estar sob controle do Estado e dos trabalhadores.
“Tudo seria do Estado, reestatizado e estatizado, e através dos conselhos operários e populares nós definiríamos onde nós deveríamos, de fato, investir toda essa riqueza que é produzida”, afirmou.
Candidato defende auditoria da dívida de Minas
Questionado sobre a dívida de Minas Gerais com a União, Jordano defendeu uma auditoria antes de qualquer decisão sobre o pagamento.
“Essa questão da dívida tem que se ter todo um estudo, uma pesquisa, uma avaliação, tem que ir a fundo nisso aí”, afirmou.
Segundo ele, seria necessário identificar quanto já foi pago e qual seria, de fato, o valor devido.
“Primeira coisa, para se pagar qualquer dívida, você tem que saber de fato aquilo que já foi pago, o quanto foi pago. E, com certeza, tanto a dívida do país quanto a do Estado, a gente sabe que isso já foi pago há muito tempo”, disse.
O candidato afirmou que, caso eleito, defenderia a realização dessa auditoria antes de discutir uma eventual suspensão dos pagamentos.
“É uma auditoria. Precisa de uma auditoria”, reforçou.
Jordano defende desmilitarização da PM
Na área de segurança pública, o candidato defendeu a desmilitarização da Polícia Militar e uma maior participação popular na definição das políticas de segurança.
“Primeiro, nós temos que melhorar a vida da classe trabalhadora. Tem que garantir saúde, tem que garantir educação de qualidade, tem que garantir transporte público gratuito, tem que garantir moradia, tem que garantir emprego. Se a gente avança nisso, por si só, já melhora muito a questão da violência”, afirmou.
Jordano fez uma distinção entre os policiais e o modelo de organização da corporação.
“Não estou falando aqui dos profissionais, do trabalhador que está lá no dia a dia, não. Mas o modelo de Polícia Militar, ele traz para nós alguma segurança? Eu entendo que não. Eu não me sinto seguro”, disse.
Entre as propostas apresentadas pelo candidato estão a possibilidade de eleição de delegados pela população e o direito de policiais militares à organização sindical.
“Nós lutamos pela desmilitarização da Polícia Militar. Nós entendemos que tem que unir as políticas, mas quem tem que definir quem vai dirigir elas é o povo”, afirmou.
Trabalhadores de aplicativos
Jordano também defendeu que trabalhadores de aplicativos tenham os direitos previstos na CLT. Para ele, o modelo atual aumenta a exploração e deixa esses profissionais sem garantias trabalhistas.
“Nós defendemos que esses trabalhadores tenham todos os seus direitos preservados, como uma CLT”, afirmou.
O candidato citou direitos como férias e 13º salário e também chamou atenção para os riscos enfrentados por trabalhadores que atuam nas ruas.
“Esse trabalhador não tem férias, não tem 13º, não tem nada. Ele trabalha no seu dia a dia, coloca a sua vida muitas vezes em risco e, se sofre um acidente, inclusive ele mesmo tem que arcar com as consequências de todo o sofrimento para ele e para a família dele”, disse.
Mineração e terras raras
Sobre a exploração de minerais críticos e estratégicos, tema de grande relevância para Minas Gerais, Jordano defendeu que o país tenha maior controle sobre suas riquezas minerais e invista no processamento desses recursos em território nacional.
“Nós temos que defender a nossa soberania. E defender a nossa soberania não significa só vestir a camisa da seleção. Defender a nossa soberania significa garantir para o nosso povo saúde, educação, moradia”, afirmou.
O candidato também defendeu investimentos em tecnologia e industrialização para evitar que o Brasil permaneça apenas como exportador de matérias-primas.
“Tudo aquilo que a gente retira aqui no nosso país, de extração, que a gente mesmo trabalhe esse produto e venda ele no valor que ele deve ser vendido. Nós temos que defender a nossa soberania”, disse.
Para Jordano, a exploração de recursos minerais deve estar sob controle do Estado e dos trabalhadores. Ele também criticou a atração de investimentos privados para o chamado Vale do Lítio, no Jequitinhonha.
“É o caminho que eles tomam aí, o capitalismo, os capitalistas. Na nossa opinião, é todo errado, porque nós defendemos que esteja sob o controle do Estado e sob o controle dos trabalhadores de forma organizada para que se possa definir tudo”, afirmou.
Ao final da entrevista, Jordano voltou a defender o programa do PSTU e afirmou que a legenda não acredita que o processo eleitoral, isoladamente, seja capaz de promover as mudanças que considera necessárias.
“A classe trabalhadora tem que se levantar, ela vai se levantar e nós acreditamos nisso. O único caminho que nós temos é destruir o capitalismo, fazer uma revolução socialista e nós, de fato, assumir o controle dessa riqueza toda”, declarou.