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Minas consolida sua guinada à direita?

Por Marina Schettini • Rede 98
05/10/2026 07:00
Cleitinho Azevedo foi eleito governador de Minas | FOTO: DIVULGAÇÃO

Minas endireitou de vez. Depois de acompanhar nas últimas duas décadas um enfraquecimento da esquerda tradicional e um crescimento do conservadorismo e do anti-petismo, o Estado elegeu nesse domingo Cleitinho Azevedo, do Republicanos, com expressivos 55% dos votos. Além dele, escolheu para uma das duas vagas disponíveis no Senado Domingos Sávio, do PL. Marília Campos, do PT, ficou com a segunda cadeira. O PL fez as maiores bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado, cada uma com 21 representantes por Minas. E Flávio Bolsonaro venceu, assim como em nível nacional, a primeira rodada da disputa nacional.

O ainda senador Cleitinho coroou uma campanha marcada por sua popularidade nas redes, linguagem fácil e discurso populista e antissistema que fala direto com a indignação do eleitor. Colocou os pés em duas canoas e construiu sua candidatura com menos apego à polarização. Defendeu pautas conservadoras e atacou o que chama de “sistema”, mas falou em favor, por exemplo, do fim da escala 6×1. “Eu sou de direita, mas meu coração é para todos”, cansou de dizer. 

No caso do Senado, colocou o pé em quase todas as canoas, pedindo reciprocidade, e conseguiu, em especial com os candidatos de olho em seu potencial de votos. Fez uma campanha voltada ao interior do Estado e, diferente do que é comum entre os postulantes, abusou de visitas a municípios menores. Teve a seu lado, como vice, um ex-presidente da Associação Mineira de Municípios, Luiz Eduardo Falcão, para facilitar a conversa com prefeitos e lideranças locais, fortes cabos eleitorais. 

Foi beneficiado ainda por uma campanha menos propositiva por ter sido capturada por escândalos nacionais e no Judiciário. Além de encontrar um eleitorado que em grande parte se prende a discursos rápidos das redes e que valoriza o contato pessoal que a tela do celular permite. Além de enfrentar candidatos que se mostraram frágeis eleitoralmente. 

Mas Cleitinho não ganhou apenas porque soube ocupar esse espaço. Encontrou do outro lado, como principal concorrente, um Patrus que deu rosto a uma campanha sem energia. Encontrou um PT que não se preocupou, ao longo do tempo, nem mesmo durante a campanha, em defender qualquer que seja o legado de Pimentel. E não por apego pessoal ao ex-governador, mas porque a defesa de um legado também poderia servir à reconstrução do partido no Estado.

Cleitinho encontrou um opositor com menos foco na disputa local e com o claro objetivo de fazer palanque para Lula. Encontrou, ainda, uma esquerda que parece ter perdido a capacidade de falar com um eleitor que mudou. Aí a vitória veio fácil. E com esse resultado, a pergunta deixa de ser apenas por que Cleitinho venceu. Ela passa a ser outra: o que aconteceu com a esquerda em Minas?

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Marina Schettini
Marina Schettini
Jornalista com passagens pelos jornais O Tempo e Super Notícia. Formada pelo Uni-BH com especialização em culturas midiáticas pela UFMG, tem a política como sua principal área de atuação.