O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) criticou os institutos de pesquisa na noite deste domingo (4/10), após avançar ao segundo turno das eleições presidenciais na primeira colocação. Em pronunciamento depois da apuração, o senador afirmou que levantamentos divulgados antes da votação apontavam um cenário diferente do resultado das urnas e disse que pesquisas internas de sua campanha indicavam vantagem.
“Muitos institutos de pesquisa davam a gente atrás. Os nossos trackings davam a gente na frente, como aconteceu. Foi por muito pouco”, afirmou Flávio. O candidato disse ainda que os levantamentos internos indicavam possibilidade de vitória já no primeiro turno.
Com a apuração praticamente concluída, Flávio terminou a primeira etapa da disputa com cerca de 56 milhões de votos e aproximadamente 47% dos votos válidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou na segunda posição, com cerca de 45% com 53 milhões de votos . Os dois voltarão a se enfrentar nas urnas no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Pesquisas apontavam Lula à frente
A crítica de Flávio ocorre depois de levantamentos divulgados na reta final mostrarem Lula numericamente à frente no primeiro turno. Pesquisa Datafolha publicada na quinta-feira (1º), por exemplo, apontava o petista com 45% dos votos válidos, contra 40% de Flávio. A margem de erro era de dois pontos percentuais.
Outro levantamento, da AtlasIntel/Bloomberg, divulgado em 29 de setembro, mostrava Lula com 45,3% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio com 42,2%. A pesquisa tinha margem de erro de um ponto percentual.
A campanha de Flávio, por outro lado, utilizou levantamentos internos durante a corrida eleitoral. Dados declarados à Justiça Eleitoral mostram que a candidatura contratou pesquisas diárias de intenção de voto, conhecidas como trackings.
No pronunciamento deste domingo, Flávio associou o desempenho nas urnas a um desejo de mudança entre os eleitores. “São quase 56 milhões de brasileiros e brasileiras que deram esse voto de confiança para mudança”, declarou.
STF
Ao projetar um eventual governo, Flávio também citou o Supremo Tribunal Federal (STF). O candidato afirmou que, se eleito, terá a possibilidade de indicar ao menos quatro integrantes da Corte durante o mandato e disse que buscará nomes que, segundo ele, não interfiram no processo eleitoral.
“Um governo que vai resgatar a democracia, um governo que vai indicar pelo menos quatro ministros para o Supremo Tribunal Federal que não vão tentar interferir em eleições”, afirmou.
A indicação de ministros do STF é uma atribuição do presidente da República. Os nomes escolhidos precisam passar por sabatina e aprovação do Senado Federal antes da nomeação.
‘Eu só preciso de um mandato’
Outro ponto abordado no pronunciamento foi a possibilidade de reeleição para presidente. Flávio reafirmou o compromisso de defender o fim do mecanismo e disse que pretende governar por apenas um mandato caso seja eleito.
“Eu sou o único candidato que assumiu o compromisso pelo fim da reeleição, porque eu só preciso de um mandato para colocar o brasileiro e a brasileira no centro do meu governo”, declarou.
Segundo Flávio, a proposta faz parte da intenção de concentrar um eventual governo na resolução de problemas enfrentados pela população.
“Eu quero a oportunidade de cuidar do Brasil. Eu quero a oportunidade de cuidar do povo brasileiro”, acrescentou.
Flávio critica Lula e fala em ‘fim da era do PT’
O candidato também direcionou parte do discurso ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio afirmou que o resultado das urnas representaria uma rejeição à continuidade do partido no comando do Palácio do Planalto.
“É o fim da era do PT. Está decretado o fim da era do PT, a mudança no nosso país”, afirmou.
Na sequência, Flávio associou os governos petistas a problemas econômicos, sociais e de segurança e disse que pretende apresentar um modelo diferente de administração no segundo turno.
“Daqui a três semanas, o Brasil [pode] dar uma resposta definitiva do que é um governo moderno, um governo com menos ministérios”, disse.
‘Estou disputando o Brasil’
Flávio ainda afirmou que Lula estaria concentrado na permanência no poder e citou o número de eleições presidenciais disputadas pelo petista. Em contraposição, disse que sua candidatura estaria voltada ao futuro do país.
“O Lula está disputando o poder. Ele já disputou sete eleições presidenciais. […] Eu estou preocupado com o futuro do Brasil. Eu estou disputando o Brasil”, declarou.
O candidato afirmou que pretende manter a estratégia adotada durante a campanha nas semanas que antecedem o segundo turno.
“É assim que eu vou continuar me comportando nessas próximas três semanas, com uma campanha limpa, como alguém que não está preocupado com perpetuação no poder”, concluiu.
Segundo turno
Flávio também direcionou críticas ao PT e ao presidente Lula durante o discurso. O candidato afirmou que pretende manter uma “campanha limpa” nas próximas três semanas e voltou a defender propostas apresentadas durante a campanha, entre elas a redução do número de ministérios e o fim da possibilidade de reeleição presidencial.
Lula e Flávio Bolsonaro disputarão o segundo turno em 25 de outubro. O novo presidente será definido pelo candidato que obtiver a maioria dos votos válidos.