Fico pensando se o presidente Lula quer mesmo, se quer lá no fundo, ser reeleito depois do cenário que saiu das urnas no domingo para os governos estaduais e, principalmente, para o Legislativo. Se isso acontecer, veremos, na prática, que, nos dias de hoje, quem tem enorme poder para definir os rumos do país, além dos donos dos partidos, são deputados e senadores.
Se eleito, Lula vai ter muita dificuldade de governar e ainda viverá com a sombra de um impedimento. E pode ver sua biografia, que tanto defendeu durante a campanha, ser encerrada de forma melancólica, aos gritos de deputados e senadores pelo “sim” à sua destituição da Presidência da República.
No Senado, teremos, a partir de 2027, 49 cadeiras só com o PL. Outras 16 de centro, que se posicionam de acordo com o vento e podem facilmente votar por pautas como o impeachment de ministros do Supremo e do presidente da República. O grupo soma 65 votos, 11 a mais que os 54 necessários. Na Câmara, o PL sozinho garantiu 121 cadeiras. O PT fez 70.
Com uma onda de direita maior agora do que em 2018 e 2022, só no primeiro turno, Flávio venceu em 14 Estados, 12 a mais que Lula. O representante da família Bolsonaro terminou com 47% dos votos, contra 45,2% do presidente. Em 2022, Lula terminou o primeiro turno com 5 pontos percentuais a mais que Jair.
Se conseguir vencer sua soberba e entender que o maior perdedor até agora foi ele – o político que dá nome ao antilulismo e um rosto ao antipetismo -, Lula pode ver sua biografia política encerrada em um governo que precisará entregar muito mais ao Congresso para conseguir governar. Ou, pior, com um mandato reduzido por deputados e senadores que ele tanto evitou nos últimos anos.
A questão, então, talvez não seja apenas se Lula vai vencer. É o que será de Lula se ele vencer.