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Mudança na comunicação de Lula já aparece nas redes com vídeos em formato de selfie e ataques a Flávio

Por Igor Teixeira • Rede 98
07/10/2026 14:36 Atualizado há 57 minutos
(Foto: Ricardo Stuckert)

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a colocar em prática uma mudança na estratégia de comunicação para o segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). Desde segunda-feira (5/10), as redes do petista passaram a adotar um tom mais combativo contra o adversário e Jair Bolsonaro (PL). Nesta quarta-feira (7/10), outra mudança ficou evidente: Lula abandonou, em parte das publicações, o formato institucional e apareceu em vídeos curtos, gravados em selfie e com linguagem direta. Dois deles acumulavam, até a publicação desta matéria, 17,5 milhões de visualizações.

A guinada ocorre após Lula terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro. O candidato do PL recebeu 47,03% dos votos, contra 45,16% do petista, uma diferença de 1,87 ponto percentual.

A comunicação passou a ser um dos pontos de atenção da campanha para o segundo turno. A estratégia prevê ampliar a participação de influenciadores de esquerda e de parlamentares com alcance nas plataformas digitais.

Entre os nomes que devem participar da mobilização estão as deputadas federais eleitas Ana Elisa (PT-MG), Erika Hilton (PSOL-SP) e Sâmia Bomfim (PSOL-SP), que tiveram bom desempenho eleitoral e presença nas redes. Ana Elisa esteve com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) em Brasília na terça-feira (6/10).

Lula troca produção institucional por vídeos gravados em selfie

A mudança já pode ser observada diretamente no perfil de Lula.

Por volta das 10h desta quarta-feira (7/10), o presidente publicou um vídeo gravado em formato de selfie. Sem uma produção institucional, Lula falou diretamente para a câmera e convocou apoiadores a buscar votos nas ruas.

“Bora, gente, para rua! Vamos conversar com as pessoas. Você que gosta do Brasil, que gosta da educação, que gosta da democracia, que quer ter um emprego de qualidade, que quer continuar estudando e ver o Brasil crescer, você que é uma pessoa que precisa melhorar de vida, bora para rua!”, afirmou.

Na sequência, Lula vinculou a mobilização à disputa contra Flávio.

“Vamos ganhar essas eleições para não permitir que o retrocesso volte para esse país. Vamos lá, gente! Tá na hora!”

Até o momento em que esta reportagem foi produzida, o vídeo acumulava 12 milhões de visualizações.

Segundo vídeo mira Flávio e escala 6×1

Cerca de três horas depois, por volta das 13h desta quarta, Lula repetiu a fórmula. Novamente em selfie, o presidente escolheu um assunto em discussão no Congresso Nacional e cobrou diretamente uma posição de Flávio Bolsonaro.

O tema foi o fim da escala 6×1.

“Você percebeu que o Congresso Nacional começou a votar o fim da escala seis por um. Eu quero saber como é que o Flávio Bolsonaro vai votar. Eu quero saber como é que ele vai orientar o PL para votar”, disse.

Lula dedicou o restante do vídeo a explicar, em linguagem simples, o significado da proposta.

“É o trabalhador deixar de trabalhar seis dias e descansar só um para trabalhar só cinco dias e ficar dois em casa. É isso que é o fim da escala seis por um”, afirmou.

O presidente ainda relacionou a redução da jornada ao tempo disponível para descanso, lazer e convivência familiar.

“Para ele descansar mais, para ele poder viver mais com a família, para ele passear com os filhos, para ele visitar os parentes, para ele poder ter um pouco de lazer na sua vida e a mulher poder descansar mais.”

Lula encerrou novamente com uma provocação política: “Agora chegou a hora do povo saber a verdade, quem é quem nesse país”.

Até a publicação desta matéria, o segundo vídeo tinha 5,5 milhões de visualizações.

Ataques ganharam espaço após primeiro turno

A mudança não começou nesta quarta. Desde segunda-feira (5/10), as redes ligadas a Lula e ao PT passaram a publicar conteúdos mais combativos contra Flávio e Jair Bolsonaro.

Uma das peças retomou o período da pandemia e relembrou imagens de pessoas em filas para conseguir ossos para alimentação.

Na terça-feira (6/10), outro conteúdo divulgado por Lula e pelo PT mirou diretamente declarações de Flávio. A publicação contrapôs falas do candidato sobre um suposto “tesouraço” a políticas e gastos relacionados ao Farmácia Popular, Minha Casa, Minha Vida e Mais Médicos.

O formato representa uma tentativa de tornar a comunicação mais agressiva e vinculada a assuntos de compreensão imediata do eleitor, em contraste com parte da estratégia adotada durante o primeiro turno.

Campanha busca influenciadores e parlamentares

A mudança ocorre em meio a críticas internas à comunicação utilizada no primeiro turno. A área é comandada pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, e por Raul Rabelo.

Entre as avaliações apresentadas após o resultado está a de que a campanha teve dificuldade para conectar a comunicação a problemas cotidianos, como custo de vida e violência urbana, enquanto assuntos como soberania e terras raras tiveram espaço na propaganda.

Lula também reconheceu, na segunda-feira (5/10), a necessidade de mudar a própria atuação na comunicação durante os dias restantes da campanha.

“Vamos dormir menos, vamos trabalhar mais. Eu acho que tenho que fazer mais rádio. Eu fiz muito pouco rádio nessa campanha, vou ter que fazer mais rádio. Vou ter que fazer mais selfies, vou ter que conversar mais”, afirmou.

Dois dias depois, as selfies já passaram a fazer parte da estratégia.

A campanha também trabalha para incorporar influenciadores de esquerda e deputados com capacidade de mobilização digital à ofensiva do segundo turno.

A movimentação ocorre paralelamente às mudanças na estrutura política da campanha. O ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará Camilo Santana deverá ganhar espaço na coordenação, após atuar na campanha pela reeleição de Elmano de Freitas (PT) no Ceará.

Lula também ouviu os governadores reeleitos Jerônimo Rodrigues (PT), da Bahia, Elmano de Freitas, do Ceará, e Rafael Fonteles (PT), do Piauí, nas discussões sobre a estratégia para a segunda etapa da eleição.

Mudança também passa por Minas

Minas Gerais está entre os estados nos quais a campanha pretende reforçar a atuação digital. Como mostrou a Rede 98, aliados de Lula discutiram em Brasília, na terça-feira (6/10), a regionalização da campanha no estado, a mobilização de parlamentares eleitos e uma estratégia para fazer frente à estrutura digital ligada a Nikolas Ferreira (PL).

Áurea Carolina (PSOL) deverá atuar principalmente na frente digital em Minas.

A combinação das duas estratégias, uma comunicação nacional mais direta e combativa e uma atuação regionalizada, faz parte da tentativa da campanha de diminuir a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro no primeiro turno e ampliar a mobilização de eleitores para a votação do segundo turno.

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Igor Teixeira
Igor Teixeira
Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, é repórter de política da 98FM. Tem passagens pela TV Alterosa e Itatiaia.