A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, denunciou, nesta sexta-feira (9/10), uma série de ameaças racistas, misóginas, de morte e de estupro recebidas desde o último domingo (4/10), dia do primeiro turno das eleições. A parlamentar eleita, que foi a candidata da esquerda mais votada para a Câmara dos Deputados em Minas Gerais, procurou a Polícia Federal (PF) para formalizar as denúncias. Ela afirma que os ataques se intensificaram nos últimos dias e que a corporação abriu uma investigação para identificar os responsáveis.
“Desde domingo eu venho sofrendo um ataque coordenado de ameaças racistas, misóginas, ameaças de morte, ameaças de estupro. E isso se intensificou muito nos últimos dias”, afirmou.
A declaração foi dada durante uma coletiva de imprensa na porta da Polícia Federal. Ana Elisa explicou que já tinha uma viagem prevista para Minas Gerais e aproveitou o deslocamento para procurar as autoridades.
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) acompanhou a articulação para que as denúncias fossem apresentadas à PF.
“Eu já estava para vir para Minas Gerais para poder tratar disso com o deputado federal Rogério Correia, que se dispôs a me ajudar, marcou com o doutor Richard aqui na Polícia Federal, e nós viemos representar essas denúncias”, relatou.
Polícia Federal investiga ameaças
Ana Elisa afirmou que parte das ameaças foi enviada por e-mail, enquanto outras partiram de perfis identificáveis nas redes sociais.
Segundo a deputada eleita, alguns conteúdos passaram a ser questionados publicamente, com alegações de que teriam sido produzidos por inteligência artificial. Ela rejeitou essa interpretação.
“Tem muita gente dizendo, atribuindo à inteligência artificial, dizendo que nós estamos mentindo. Ele já foi exposto, só que nós não conseguimos identificar ainda quem é a pessoa. Os outros perfis desde domingo são perfis identificados de pessoas físicas”, explicou.
A parlamentar eleita disse que recebeu informações sobre o início das investigações.
“A Polícia Federal, neste momento, abriu a investigação sobre esses perfis e já tomou todas as providências cabíveis ao órgão competente”, afirmou.
‘Estamos sofrendo as consequências dessa possibilidade’
Durante a coletiva, Ana Elisa associou o aumento dos ataques ao cenário político após o primeiro turno, que definiu a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Para ela, a possibilidade de uma vitória de Flávio no segundo turno está relacionada ao ambiente de hostilidade enfrentado por grupos minoritários.
“É exatamente o que nós estamos tentando descrever há dias, o que significa ter o Brasil com Flávio Bolsonaro como presidente da República. Ele está desde domingo com a possibilidade, como também o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de ser o próximo presidente da República. E nós já estamos sofrendo as consequências dessa possibilidade”, declarou.
A deputada eleita também comentou os ataques enfrentados pela população negra e afirmou que a resistência ao racismo não se limita à atividade política.
“Nós, enquanto pessoas negras, estamos sofrendo todo tipo de ataque a todo momento. Então, eu acredito que a nossa resistência é na Câmara, é no trabalho CLT, é em casa, é nas redes sociais, é em todos os lugares”, disse.
Ana Elisa afirmou ainda que a violência sofrida não deve ser tratada como algo natural.
“Infelizmente, socialmente falando, nós somos formados a aguentar toda e qualquer coisa”, concluiu.