A Justiça Eleitoral de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, determinou que a Polícia Federal abra um inquérito para investigar a deputada federal eleita Ana Elisa (PT) por suspeita de divulgação de informações falsas durante a campanha eleitoral de 2026. A decisão foi assinada pelo juiz eleitoral Orlando Israel de Souza.
A ação foi apresentada pelo candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e questiona publicações feitas por Ana Elisa na rede social X sobre uma suposta tentativa de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Flávio aponta uma possível prática de crime eleitoral, que consiste na divulgação de fatos que o autor sabe serem falsos durante a campanha.
O Ministério Público Eleitoral considerou que há elementos que justificam a investigação, mas afirmou que são necessárias mais provas para esclarecer o caso. Entre as medidas solicitadas está a obtenção de informações sobre as publicações questionadas.
O juiz concordou com o parecer do Ministério Público e determinou o envio do caso à Polícia Federal em Divinópolis para a abertura do inquérito.
Justiça determina preservação de publicações
A decisão também determina que a empresa responsável pela rede social X preserve os registros digitais das publicações questionadas. A medida abrange o período entre 24 de setembro e 8 de outubro de 2026.
Flávio Bolsonaro também havia pedido medidas para impedir que Ana Elisa publicasse ou compartilhasse novos conteúdos considerados falsos sobre a eleição presidencial e os candidatos. O Ministério Público Eleitoral, porém, se posicionou contra a proibição por entender que o pedido era muito amplo e não especificava quais conteúdos deveriam ser vetados.
O juiz concordou com esse entendimento e negou o pedido. Na decisão, destacou que a proibição de divulgar informações falsas já está prevista na legislação eleitoral.
O magistrado também determinou o envio de uma cópia do processo à Procuradoria-Geral Eleitoral para análise e eventuais providências.
A abertura do inquérito não significa que Ana Elisa tenha sido condenada ou que o crime esteja comprovado. A investigação deverá reunir provas para esclarecer os fatos. A Rede 98 procurou a deputada eleita Ana Elisa, que afirmou que “O processo está correndo em sigilo”. Ela também disse que não se posicionará no momento, já que não teve acesso ao inquérito. “Não é a primeira tentativa do Flávio de me calar, não tem como eu falar nada sobre, pois ainda não tivemos acesso ao inquérito. Quando tiver acesso, me pronunciarei a tempo e modo.”