O deputado estadual Eduardo Azevedo (PL-MG), irmão do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), criticou o presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Lucas Vieira (PSB), por declarar apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A manifestação foi publicada nas redes sociais nesta sexta-feira (23/10) e provocou uma resposta de Lucas, que defendeu o direito de manifestar sua preferência política sem representar a entidade.
“Que vergonha, senhor Lucas Vieira, presidente da Associação Mineira de Municípios. O senhor usou a sua rede social para poder declarar apoio ao governo Lula”, afirmou Eduardo.
O parlamentar questionou se o posicionamento do dirigente representa a opinião dos prefeitos mineiros e resgatou críticas à gestão do ex-governador Fernando Pimentel (PT), especialmente o parcelamento de salários dos servidores estaduais.
Eduardo também acusou Lula de ameaçar interromper obras em Minas Gerais durante a campanha presidencial.
“Lula esteve aqui em Minas Gerais, ameaçou o Cleitinho, falou que vai transformar esse estado num cemitério de obras e o senhor, à frente de uma instituição tão importante que é a AMM, veio agora publicamente declarar apoio a Lula. Quanta decepção”, declarou.
Lucas Vieira responde às críticas
Em vídeo publicado também nesta sexta-feira, Lucas Vieira rebateu o deputado e afirmou que seu apoio a Lula é uma decisão pessoal, sem qualquer relação com o posicionamento institucional da AMM.
“Eu não tenho vergonha de apoiar o presidente Lula, mas tenho respeito pelo mandato que o povo mineiro te deu e faço questão de responder publicamente. Meu apoio ao Lula é pessoal e eu me posicionei para os meus eleitores. Eu não falei em nome da AMM e nem poderia”, afirmou.
Lucas, que também é prefeito de Iguatama, no Centro-Oeste de Minas, ressaltou que a associação reúne gestores de diferentes posições políticas.
“A AMM é uma instituição apartidária, composta por prefeitos de várias ideologias”, acrescentou.
O dirigente também contestou a interpretação de Eduardo sobre a declaração de Lula a respeito da paralisação de obras no estado.
“A sua narrativa de que o Lula teria ameaçado Minas Gerais de se tornar um cemitério de obras está fora do contexto e você sabe disso”, disse.
Na resposta, Lucas argumentou que a proposta de Flávio Bolsonaro (PL) de reduzir despesas federais em R$ 200 bilhões poderia prejudicar os municípios. Ele também comparou os investimentos federais destinados a Minas durante os governos de Jair Bolsonaro e Lula, citando valores de aproximadamente R$ 7 bilhões e mais de R$ 50 bilhões, respectivamente. Os números foram apresentados pelo dirigente e não foram acompanhados de documentação no vídeo.
Divergência política na transição
A troca de críticas ocorre enquanto Lucas Vieira integra a comissão de transição do governo estadual. Eduardo Azevedo defendeu sua saída do grupo, mas reconheceu que a decisão cabe ao governador eleito e à futura gestão.
A equipe de transição de Cleitinho, por sua vez, informou que pretende manter o presidente da AMM na comissão, por entender que ele representa os municípios mineiros e que divergências políticas não devem interferir nos trabalhos técnicos.
Ao final de sua resposta, Lucas afirmou que também enfrentou pressões políticas quando apoiou Cleitinho na eleição estadual e defendeu a convivência entre diferentes posições partidárias.
“Não cedo à pressão, porque tenho certeza de que Cleitinho e Falcão são o melhor para Minas. Da mesma forma, tenho a convicção de que Lula continua sendo a melhor opção para o Brasil”, declarou.
“Não vamos deixar que a polarização seja um obstáculo. Precisamos estar juntos para enfrentar o grande desafio que temos pela frente na reconstrução do nosso estado”, concluiu.