A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, nesse domingo (25/10), ganhou destaque na imprensa internacional. Veículos como CNN, The New York Times, The Wall Street Journal e Financial Times ressaltaram a virada do petista sobre Flávio Bolsonaro (PL), a polarização política no país e os impactos do resultado para as relações do Brasil com os Estados Unidos e outros países da América Latina.
A CNN classificou o resultado como uma “vitória histórica” e destacou a disputa “extremamente acirrada” entre os candidatos. O canal lembrou que Lula se tornou o primeiro presidente brasileiro eleito quatro vezes para o cargo e que a vitória ocorreu em meio a preocupações com o custo de vida, a criminalidade e a corrupção.
O resultado também chamou a atenção por contrariar o desempenho do primeiro turno. Segundo a imprensa internacional, esta foi a primeira vez desde a retomada das eleições presidenciais diretas, em 1989, que um candidato que terminou a primeira etapa em segundo lugar venceu a disputa no segundo turno.
Repercussão nos Estados Unidos
O The New York Times destacou que Lula conseguiu barrar o avanço de um movimento de direita liderado por Flávio Bolsonaro. Para o jornal, a vitória representa uma reação à onda conservadora que ganhou força em países da América Latina.
A publicação também mencionou os problemas enfrentados durante a votação, como atrasos no transporte e condições climáticas adversas, além de apontar que o desfecho da eleição poderia abrir espaço para questionamentos sobre o resultado.
Já a agência Associated Press ressaltou que a vitória mantém uma distância política entre o Brasil, maior economia da América Latina, e Washington. O veículo também destacou que Brasil e México, os dois países mais populosos da região, passam a ser governados por líderes de centro-esquerda.
O The Wall Street Journal, por sua vez, resumiu o resultado como uma reviravolta eleitoral e afirmou que Lula “se agarra ao poder” no Brasil. O jornal destacou a permanência do petista no cenário político internacional após décadas de atuação.
O Financial Times classificou a virada como dramática e afirmou que a vitória representa um revés para a estratégia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ampliar a influência americana na América Latina. O jornal também observou que o resultado contrariou pesquisas que apontavam uma ligeira vantagem para Flávio Bolsonaro.
Repercussão na América Latina e na Europa
Na Argentina, o jornal Clarín destacou os possíveis efeitos diplomáticos da eleição para o governo de Javier Milei, aliado de Flávio Bolsonaro durante a campanha. A publicação mencionou a atuação de Milei na disputa e a ausência de manifestações do governo argentino após a confirmação da vitória de Lula.
O jornal também atribuiu importância à mobilização nas redes sociais durante o segundo turno, citando o crescimento de grupos de apoio ao petista no WhatsApp.
Na França, o Le Monde destacou a reeleição de Lula para um quarto mandato e a prorrogação do horário de votação, determinada em meio a problemas relacionados ao transporte público em algumas regiões. O jornal também informou que Flávio Bolsonaro pretende pedir a anulação da eleição.
A cobertura internacional também ressaltou as controvérsias que marcaram o processo eleitoral. A prorrogação da votação por duas horas, em razão de dificuldades de transporte e das chuvas em algumas localidades, foi apontada por diferentes veículos como um dos principais pontos de tensão do domingo.