Parlamentares do Partido Liberal (PL) que participaram da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Minas Gerais criticam a atuação do governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) no segundo turno das eleições presidenciais. Em conversas com a reportagem da Rádio 98, integrantes da legenda cobraram maior presença e envolvimento do republicano na campanha do senador, derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (25/10).
A insatisfação aumentou após Flávio perder em Minas Gerais, estado onde havia vencido o primeiro turno. Para os parlamentares ouvidos, Cleitinho poderia ter utilizado com mais intensidade a força política conquistada na eleição estadual para impulsionar a candidatura presidencial.
Outro motivo de irritação foi a postura adotada pelo governador eleito durante a campanha. Cleitinho afirmou em diferentes ocasiões que buscaria diálogo com o vencedor da disputa presidencial, independentemente de quem fosse eleito.
A declaração desagradou apoiadores de Flávio, que esperavam um posicionamento mais enfático do futuro governador em favor do candidato do PL.
Cobrança por maior participação no segundo turno
Entre os parlamentares do PL, a avaliação é de que Cleitinho teve uma participação abaixo do esperado na campanha presidencial, especialmente depois de vencer a disputa pelo Governo de Minas.
O governador eleito participou de atos de apoio a Flávio, incluindo uma motociata realizada em Belo Horizonte na véspera da votação. Também acompanhou a apuração do segundo turno.
Apesar disso, integrantes da legenda consideram que sua presença poderia ter sido mais constante ao longo da campanha.
O resultado em Minas ampliou o descontentamento. No primeiro turno, Flávio havia conquistado o estado com vantagem de aproximadamente 588 mil votos sobre Lula. No segundo, o petista reverteu o cenário e venceu com 50,43% dos votos válidos, contra 49,57% do senador.
Força eleitoral de Cleitinho aumenta pressão
A cobrança também está relacionada ao desempenho de Cleitinho na eleição estadual. O governador eleito recebeu 55,41% dos votos válidos, o equivalente a mais de 6,2 milhões de eleitores.
Na mesma votação, Flávio Bolsonaro conquistou aproximadamente 5,77 milhões de votos em Minas, cerca de meio milhão a menos que Cleitinho.
Para os parlamentares insatisfeitos, a diferença reforça a percepção de que o governador eleito tinha capital político para contribuir mais diretamente com a campanha presidencial.
Em Divinópolis, cidade natal de Cleitinho, Flávio venceu a disputa presidencial.
Relação entre Cleitinho e o PL
O PL não integrou oficialmente o palanque de Cleitinho no primeiro turno da eleição estadual. A legenda lançou candidatura própria ao Governo de Minas, com o empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
Roscoe terminou a eleição em terceiro lugar, enquanto Cleitinho venceu a disputa.
No segundo turno presidencial, Cleitinho declarou apoio a Flávio Bolsonaro, mas manteve o discurso de que dialogaria com qualquer candidato eleito para defender os interesses de Minas Gerais.
A postura, somada à derrota do senador no estado, provocou críticas entre parlamentares do PL que participaram da campanha e esperavam um envolvimento maior do governador eleito na disputa presidencial.