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‘Não posso aplaudir quem fez negócio com Vorcaro’, diz Zema sobre Flávio Bolsonaro

Por Igor Teixeira • Rede 98
27/10/2026 14:57 Atualizado há 51 minutos
(Foto: 98News)

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) afirmou nesta terça-feira (27/10) que mantém as críticas feitas a Flávio Bolsonaro (PL) durante a campanha presidencial, após a divulgação de informações sobre um suposto pedido de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da 98 News, Zema reconheceu que o posicionamento provocou desconforto dentro do Novo, que mantinha alianças com o PL em diferentes estados.

“O que eu falei está dito e não mudo. Eu não posso aplaudir quem fez negócio com Vorcaro”, declarou.

A declaração ocorreu após o ex-governador ser questionado sobre uma possível repreensão recebida da direção do Novo em razão das críticas ao então candidato presidencial.

Zema não confirmou diretamente se houve uma repreensão formal, mas admitiu que sua manifestação provocou incômodo entre aliados políticos.

Zema diz que críticas causaram desconforto no Novo

O ex-governador explicou que a publicação contra Flávio Bolsonaro foi feita em maio, quando surgiram as informações sobre a suposta aproximação do senador com Vorcaro.

Segundo Zema, sua posição foi a de defender a apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, caso fossem identificadas irregularidades.

“Eu falei, como eu disse aqui há pouco, que ele explique, que seja apurado e que, se ele não deve nada, ele vai estar tranquilo. Agora, se ele deve alguma coisa, que seja responsabilizado de acordo com a lei”, afirmou.

O ex-governador destacou que o Novo tinha como principal objetivo eleitoral superar a cláusula de barreira, mecanismo que estabelece requisitos mínimos de desempenho para o acesso a recursos partidários e à propaganda gratuita.

Para alcançar esse objetivo, a legenda estabeleceu alianças com diferentes partidos, incluindo o PL.

“O partido, diferente daqui em Minas, em que o Novo trabalhou com o PSD, em outros estados nós trabalhamos lado a lado com o PL. Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás. O Novo estava junto com o PL e causou esse desconforto”, explicou.

Apesar das divergências, Zema afirmou que não pretende retirar as críticas feitas durante a campanha.

Ex-governador faz acusações contra ministros do STF

Durante a entrevista, Zema também criticou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e mencionou um contrato de R$ 129 milhões que, segundo ele, teria sido firmado entre a esposa de um integrante da Corte e o Banco Master, ligado a Daniel Vorcaro.

O ex-governador classificou a situação como incompatível com os padrões éticos que considera necessários para o exercício de funções públicas.

“Em qualquer país sério do mundo, um ministro cuja esposa fez um contrato com um banqueiro, Vorcaro, de R$ 129 milhões, esse ministro, no mínimo, estaria demitido, para não dizer preso”, afirmou.

Zema também questionou a prestação dos serviços previstos no contrato e sugeriu que a relação poderia envolver influência política.

As declarações são acusações do ex-governador. A existência de um contrato, por si só, não comprova irregularidade ou prática criminosa, e a entrevista não apresentou decisão judicial que confirmasse as suspeitas levantadas.

Zema associa Banco Master a governo do PT na Bahia

O ex-governador também afirmou que Daniel Vorcaro buscou estabelecer relações com diferentes setores da sociedade, incluindo integrantes do Judiciário, do governo federal e dos meios de comunicação.

Na avaliação de Zema, o banqueiro teria procurado ampliar sua influência em Brasília.

“Ele queria colocar tentáculo em todo lugar e conseguiu colocar lá em Brasília. Foi muito bem recebido no Supremo e também dentro do governo PT”, declarou.

Zema ainda relacionou a trajetória do Banco Master à atuação do governo de Rui Costa (PT) na Bahia, mencionando o antigo banco Credcesta.

“O PT da Bahia foi o berço, foi o berçário. Foi onde o Banco Master foi gerado com o Credcesta. O Banco Master nasceu devido ao apoio que teve do governo Rui Costa na Bahia”, afirmou.

O ex-governador não apresentou, durante esse trecho da entrevista, documentos que comprovassem as irregularidades sugeridas ou eventual responsabilidade criminal dos agentes políticos mencionados.

As declarações foram feitas durante uma entrevista em que Zema também comentou os resultados das eleições de 2026 e sua relação com antigos aliados políticos.

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Igor Teixeira
Igor Teixeira
Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, é repórter de política da 98FM. Tem passagens pela TV Alterosa e Itatiaia.