Durante o Imersão Indústria 2026, o “Custo Brasil” está sendo um dos temas centrais, visto como um desafio mais pesado para micro e pequenas empresas do que para grandes indústrias. Em entrevista à 98 News, Tadeu Neves, gerente de projetos do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), destacou que, enquanto grandes corporações contam com equipes estruturadas para lidar com a burocracia, o pequeno empresário costuma acumular múltiplas funções.
“Quanto mais você sobrecarrega ele com obrigações acessórias, que não geram valor à atividade-fim, mais custos desnecessários são criados”, afirmou.
Além da carga tributária, esses custos incluem exigências ambientais e normas regulamentadoras que impactam o dia a dia das empresas. Para enfrentar a falta de informação e de gestão, o Conselho da Micro e Pequena Indústria da Fiemg elaborou uma cartilha orientativa.
Neves ressaltou que muitos empresários dominam a produção, mas enfrentam dificuldades com a complexidade administrativa. “Buscamos criar ferramentas para esclarecer e reduzir esse peso, muitas vezes agravado pelo desconhecimento”, disse.
Em Minas Gerais, mais de 97% das indústrias são de micro ou pequeno porte e respondem por quase 60% dos empregos no setor. Neves defende que o poder público adote um tratamento diferenciado, especialmente nas discussões da Reforma Tributária, para evitar prejuízos às empresas do Simples Nacional.
“Olhar para o pequeno negócio de uma forma diferenciada em todas as legislações é fundamental para que ele possa em algum momento virar um médio negócio”, finalizou.