O deputado federal André Janones (Rede-MG) afirmou, nesta quarta-feira (7/10), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deve ser responsabilizado pelas dificuldades da campanha nas redes sociais. Durante entrevista ao Direto ao Ponto, da 98News, Janones disse que Lula, aos 81 anos, tem o direito de manter uma relação “analógica” com a política e atribuiu as falhas digitais à campanha, à coordenação e aos próprios parlamentares de esquerda. Para exemplificar a diferença de comunicação, comparou o lançamento da candidatura do petista com o início da campanha de Cleitinho Azevedo.
“Lula é um senhor idoso de 81 anos de idade. A única pessoa nesse governo que tem, eu costumo chamar de licença poética, para ser analógico, para não saber o que é uma rede social, chama-se Luiz Inácio Lula da Silva”, afirmou.
Janones defendeu que a atuação pessoal do presidente não seja confundida com a estrutura responsável pela campanha.
“Nós não podemos jogar no mesmo balaio o Lula e o governo Lula. Nós não podemos jogar no mesmo balaio o Lula e a campanha do Lula”, disse.
‘A culpa é nossa’
Para explicar a avaliação, Janones comparou Lula ao jogador argentino Lionel Messi. Segundo o deputado, assim como outros jogadores precisaram correr pelo camisa 10 durante a última Copa do Mundo, cabe à estrutura política ao redor do presidente compensar as dificuldades dele no ambiente digital.
“Messi só brilhou na última Copa porque uma equipe corria por ele. Porque ele não tem mais o vigor físico dos jovens. Então os jovens falaram: ‘Vamos correr pelo Messi’. A culpa não é do Lula, a culpa é nossa”, afirmou.
Janones incluiu a si próprio entre os responsáveis.
“A culpa é minha, a culpa é dos deputados de esquerda, a culpa é da campanha, a culpa é da coordenação. Ela só não é do Lula, porque ele tem autorização para ser analógico, porque ele é um senhor de 81 anos de idade.”
‘Política para mim é olho no olho’
Durante a entrevista, Janones também relatou uma conversa reservada da qual havia participado cerca de 20 minutos antes. Segundo o deputado, Lula falou sobre a própria dificuldade de se adaptar às redes sociais.
Janones afirmou que a declaração ocorreu em uma roda de conversa, no encerramento de um evento, e não havia sido feita publicamente.
“Eu ouvi ele falar isso emocionado. Ele pegou e disse assim: ‘Eu tenho dificuldade com redes sociais porque eu não consigo entender e me adaptar em falar para uma tela. Política para mim é olho no olho. Eu gosto de comício, eu gosto da rua, porque eu quero ver a reação da pessoa. Política para mim é química’”, relatou.
Segundo Janones, Lula também teria dito não conseguir fazer política diante de uma tela, sem a reação direta das pessoas.
“Esse é o Lula. E ele tem o direito de ser assim, ele não vai mudar aos 80 anos de idade. Agora, a campanha não tem”, afirmou o deputado.
Janones compara Lula e Cleitinho
Janones citou exemplos de Minas Gerais para argumentar que a campanha precisa produzir conteúdos capazes de gerar identificação com o eleitor.
O primeiro foi o lançamento da candidatura de Lula, realizado na Vila Euclides. Segundo o deputado, a própria divulgação partiu do pressuposto de que o público conhecia o significado histórico do local.
“Começa a divulgar como se todo mundo soubesse o que é Vila Euclides. Como é que ninguém sabe o que é isso? ‘Ah, mas tem uma história, as greves dos anos 80.’ Eu tenho 40 anos de idade e eu não sabia disso. Acha que o povo vai saber o que é Vila Euclides?”, questionou.
Para Janones, o episódio exemplifica o que ele havia classificado como “arrogância” na comunicação da esquerda.
“Você deduz que todo mundo sabe o que você sabe”, afirmou.
O parlamentar também criticou a chegada de Lula ao evento de helicóptero. Para ele, a imagem não combinava com a trajetória popular explorada politicamente pelo presidente.
“Você está falando do migrante nordestino, do cara que conecta com os pobres, do cara que tirou milhões da pobreza. Quem foi o gênio que achou que ele chegar num helicóptero ia ser bom, que ia gerar conexão?”, questionou.
‘Começou a bagaceira’
Na comparação, Janones citou a comunicação utilizada por Cleitinho Azevedo no início da campanha ao governo de Minas.
Segundo o deputado, Cleitinho apareceu em uma cidade do Norte de Minas, em uma rua de terra, cercado por pessoas e segurando uma garrafa de refrigerante.
“Cleitinho Azevedo, primeiro dia, lançamento da candidatura do Cleitinho, ele aparece no meio de um monte de gente, numa cidade lá no Norte de Minas, numa cidade pobre, numa rua de terra, pulando no meio de um monte de gente com uma garrafa de Coca na mão, tomando a Coca, e ele coloca o título assim: ‘Começou a bagaceira’”, relatou.
Janones encerrou a comparação com uma pergunta sobre qual das duas imagens teria maior capacidade de aproximação com o eleitor.
“Pega esses dois exemplos e me fala qual conecta mais”, concluiu.