O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta segunda-feira (19/10), que vai apresentar à Justiça Eleitoral uma autorização para a abertura de seus sigilos e dos de seus cinco filhos. Durante um pronunciamento antes de uma passeata em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, o candidato à reeleição desafiou o adversário no segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL), a adotar a mesma medida e permitir a investigação de seu patrimônio e de suas empresas.
Lula afirmou que pretende entregar o documento nesta terça-feira (20/10) e espera que Flávio apresente uma autorização semelhante. O presidente defendeu que as informações sejam investigadas pela Justiça e posteriormente divulgadas à população.
“Eu vou entregar isso amanhã no Tribunal Eleitoral, na expectativa de que o candidato adversário apresente a proposta para abrir o seu sigilo, das suas empresas, da sua família”, declarou.
O presidente justificou a iniciativa como uma forma de responder às acusações de corrupção feitas durante a campanha eleitoral. Segundo ele, a abertura dos sigilos permitiria esclarecer questionamentos sobre o patrimônio dos candidatos.
“É preciso, de uma vez por todas, acabar neste país com a história de ficar chamando gente honesta de ladrão”, afirmou.
Lula questiona patrimônio de Flávio
Durante o pronunciamento, Lula também questionou a origem dos recursos utilizados por Flávio Bolsonaro para adquirir um imóvel. O presidente afirmou que o adversário comprou uma casa de R$ 10 milhões à vista e cobrou explicações sobre a operação.
“Eu sou presidente da República três vezes. Moro num apartamento de 190 metros quadrados, comprado em 1998. Como um cidadão que é senador da República, que ganha o mesmo salário que ganha o presidente da República, pode comprar uma casa de R$ 10 milhões à vista, sem explicar de onde vem o dinheiro?”, questionou.
A declaração representa uma acusação feita por Lula durante a campanha. O presidente não apresentou, no pronunciamento, documentos que comprovassem as condições de pagamento mencionadas.
Lula também chamou Flávio de “miliciano” e “corrupto”, além de estender as acusações à família do adversário. As afirmações foram feitas sem apresentação de provas durante o discurso.
O petista afirmou que a decisão de incluir os cinco filhos na autorização tem o objetivo de defender a honra da família diante dos ataques políticos.
“Essa é minha última disputa eleitoral e eu não posso deixar que um ladrão tente jogar minha biografia no lixo. Isso aqui é em defesa da minha honra, da honra da minha família”, declarou.
Ao encerrar o desafio, Lula voltou a cobrar uma resposta do adversário.
“O desafio está feito. É importante que ele saiba que amanhã eu vou entregar e fico na expectativa de que ele entregue, para que a Justiça possa investigar”, concluiu.
A apresentação da autorização foi anunciada pelo presidente, mas não significa que os sigilos já tenham sido efetivamente abertos ou que uma investigação tenha sido instaurada.