O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu, nesta terça-feira (6/10), em Brasília, integrantes da campanha e aliados de diferentes estados para discutir a estratégia do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). O encontro contou com Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, a coordenação nacional e representantes de MDB, PSB, PT, PCdoB, PSOL e PV. Em Minas Gerais, a campanha decidiu ampliar a coordenação, incorporar novos nomes e descentralizar a mobilização pelas diferentes regiões do estado.
Representaram Minas na reunião a deputada federal eleita Gleide Andrade (PT), a senadora eleita e ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e Paulo Lamac, porta-voz nacional da Rede Sustentabilidade.
Uma fonte ouvida pela Rede 98 definiu o encontro como uma “reunião de pulso”. Participaram representantes das campanhas majoritárias dos estados, além da coordenação nacional e parlamentares do nordeste em peso na reunião.
No início do encontro, os participantes tiveram espaço para apresentar ideias e avaliações sobre os caminhos para a campanha contra Flávio Bolsonaro. A estratégia digital e a mobilização da militância para buscar votos apareceram entre os principais pontos.
Coordenação será ampliada em Minas
A Presidente estadual do PT e deputada estadual reeleita, Leninha afirmou que a coordenação da campanha de Lula em Minas será ampliada para o segundo turno. A estrutura continuará sob a coordenação dela e de Reginaldo, mas deverá incorporar outros nomes, entre eles parlamentares eleitos.
“Nós vamos ampliar a coordenação da campanha de Lula em Minas Gerais, que continua sob minha coordenação e a de Reginaldo. Já estamos conversando com os deputados e deputadas eleitos e vamos incorporar mais pessoas a esse processo”, afirmou Leninha.
Segundo a presidente estadual do PT, a principal tarefa será regionalizar e descentralizar a campanha para ampliar a mobilização pelo estado.
“A principal tarefa agora é regionalizar e descentralizar a campanha, fortalecendo a mobilização em todas as regiões de Minas Gerais. É hora de ampliar esse trabalho, envolver nossas lideranças e fazer a campanha chegar ainda mais perto das pessoas”, completou.
Grandes eventos não são prioridade
A regionalização também deverá mudar a maneira como a campanha atua presencialmente no estado. A realização de grandes eventos não é tratada como prioridade neste momento.
A intenção é utilizar os deputados eleitos e outras lideranças para levar o discurso de Lula às diferentes regiões de Minas.
“Na verdade, a gente não está pensando muito em estratégia de evento presencial, não. A gente está pensando como que os deputados eleitos conseguem ajudar pelo estado e qual vai ser a estratégia para regionalizar o discurso do presidente aqui em Minas”, disse outra fonte à Rede 98.
A avaliação interna é de que concentrar esforços em grandes atos presenciais não apresentou o resultado esperado.
“Então, o nosso foco agora não é, na verdade, a parte presencial, não. Porque a gente já viu que isso aí não dá certo”, completou.
Áurea terá papel na estratégia digital
A campanha também pretende reforçar a atuação nas redes sociais. Em Minas, Áurea Carolina (PSOL) deverá atuar principalmente nessa frente.
O ambiente digital foi um dos dois principais eixos discutidos durante a reunião em Brasília. O outro foi o papel dos mobilizadores e a maneira de acionar a militância para buscar votos no segundo turno.
Uma preocupação apresentada durante o encontro foi a falta de clareza, na avaliação de integrantes da campanha, sobre a forma como as plataformas distribuem os conteúdos aos usuários. O desempenho de candidaturas do PL nas redes foi citado durante a discussão.
Estrutura de Nikolas entra na discussão
No recorte mineiro, a estrutura de mobilização de Nikolas Ferreira (PL) também entrou no debate.
Integrantes da campanha discutiram como fazer frente à capacidade de mobilização ligada ao deputado federal, principalmente no ambiente digital. O tema faz parte da estratégia específica que será construída para Minas durante o segundo turno.
A campanha também discutiu assuntos que deverão ganhar espaço no discurso nacional nas próximas semanas. Entre eles estão segurança pública, enfrentamento ao crime organizado, custo de vida e informalidade.
Pontos considerados frágeis da candidatura de Flávio Bolsonaro também foram levantados pelos participantes.
STF preocupa campanha
A relação de Lula com o Supremo Tribunal Federal (STF) foi outro tema discutido em Brasília.
Segundo uma fonte ouvida pela Rede 98, a campanha avalia como reforçar a mensagem de que Lula não tem relação com eventuais irregularidades na conduta de ministros da Corte.
A questão aparece entre os pontos que os aliados consideram necessários enfrentar durante a disputa política e digital do segundo turno.
Ausência de Manuela d’Ávila foi percebida
A ausência de Manuela d’Ávila (PSOL) foi percebida durante o encontro. Jornalista e ex-deputada federal, ela disputou uma vaga no Senado pelo Rio Grande do Sul nas eleições deste ano, mas não foi eleita.
A reunião desta terça-feira serviu para reunir avaliações de diferentes estados e iniciar a reorganização da campanha para o segundo turno. Em Minas, o movimento terá como pilares a ampliação da coordenação, a descentralização territorial, a participação de parlamentares eleitos, a mobilização da militância e o reforço da estratégia digital.