A campanha de Patrus Ananias (PT), candidato ao governo de Minas, negou que o petista pretenda retomar a Escola Plural, programa educacional implantado em Belo Horizonte durante sua gestão como prefeito. A manifestação ocorre após adversários associarem Patrus ao retorno do modelo e criticarem os resultados da política educacional.
Em nota, a assessoria afirmou que a retomada da Escola Plural não aparece no plano de governo apresentado pelo candidato à Justiça Eleitoral e classificou as acusações como uma tentativa de “distorcer o debate público”.
“A afirmação feita pelos adversários não condiz com a realidade e não consta em nenhuma linha do plano de governo registrado na Justiça Eleitoral. Trata-se de uma tentativa deliberada de distorcer o debate público por parte de quem prefere atacar a apresentar soluções para Minas Gerais”, afirmou a campanha.
A declaração ocorre após Gabriel Azevedo (MDB) e Mateus Simões (PSD) criticarem Patrus durante o debate da Record TV nesta segunda-feira (21/9). Os dois relacionaram o petista à Escola Plural e afirmaram que o modelo permitia que estudantes avançassem sem a aprendizagem necessária.
Após o debate, Gabriel voltou ao assunto e afirmou que a possibilidade de retomada do programa o “assusta”.
“Isso é assustador. Todo mundo sabe que, durante o governo de Patrus Ananias, enquanto prefeito, ele implementou um modelo em que não havia aprendizagem. Nós tivemos gerações sem saber ler, sem saber escrever. Quando ele fala que quer retomar isso, me assusta como professor que eu sou”, declarou.
A campanha de Patrus contesta essa interpretação. Segundo a assessoria, as propostas apresentadas atualmente pelo petista para a educação estadual incluem o pagamento do Piso Nacional dos Professores, ampliação das escolas de tempo integral, fortalecimento do ensino técnico profissionalizante para jovens e recuperação da infraestrutura das escolas públicas.
“O compromisso de Patrus é assegurar aprendizagem efetiva, valorização dos educadores e acolhimento dos estudantes, superando a precarização vivida pela rede estadual nos últimos anos”, completou a assessoria.
O que foi a Escola Plural
A Escola Plural foi criada durante a gestão de Patrus Ananias na Prefeitura de Belo Horizonte, entre 1993 e 1996. A implantação começou em 1995 e modificou a organização da rede municipal, que passou a adotar ciclos de formação em vez da divisão tradicional por séries.
A proposta surgiu em um cenário de discussões sobre repetência, evasão e permanência dos estudantes nas escolas públicas. Entre os objetivos apresentados pelo programa estavam melhorar a aprendizagem, reduzir a evasão e a reprovação, transformar a escola em um espaço cultural para a comunidade e garantir a permanência das crianças na rede pública.
Um dos princípios utilizados na elaboração do modelo era que os estudantes poderiam apresentar ritmos diferentes de aprendizagem. A formulação defendia que “todos são capazes de aprender, uns são mais rápidos, outros mais lentos, mas todos aprendem”.
Com a mudança, o primeiro ciclo reunia estudantes de 6 a 8 anos; o segundo, de 9 a 11; e o terceiro, de 12 a 14 anos. O modelo eliminou a repetência durante o primeiro e o segundo ciclos.
Dados apresentados à época apontavam que, antes da introdução dos ciclos, a taxa de repetência era de 44% na 1ª série e de 32% entre a 2ª e a 4ª séries. Nas etapas correspondentes ao terceiro ciclo, onde a repetência continuava existindo, o índice caiu de 36%, em 1992, para 27%. A evasão escolar passou de 1,7% para 1,4%.
Além da organização por ciclos, a Escola Plural defendia um currículo culturalmente mais diversificado, com atividades artísticas, valorização da história e da literatura e maior abertura das unidades para a comunidade, mantendo as disciplinas tradicionais. O programa também buscava incentivar o trabalho coletivo entre professores e o acompanhamento conjunto dos estudantes.