O ex-presidente Michel Temer (MDB) anunciou nesta segunda-feira (5/10) apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em pronunciamento publicado nas redes sociais, Temer afirmou que o resultado das urnas demonstrou um desejo de mudança e defendeu uma “reconexão” do país, que, na avaliação dele, é representada pela candidatura de Flávio.
“As urnas falaram. O povo brasileiro, autoridade única da democracia, deixou claro que deseja mudança, quer atenção, respeito. Quem entendeu isso foi reeleito. Com os demais, deu-se a renovação”, afirmou Temer.
O ex-presidente relacionou o resultado da disputa pelo Palácio do Planalto à renovação na composição do Congresso Nacional.
“Renovação que apareceu fortemente na composição do Congresso Nacional e na força da candidatura à Presidência da República, que chegou ao segundo turno em primeiro lugar”, disse.
Temer encerrou o pronunciamento com críticas ao que classificou como “fórmulas repetidas” e “discursos grosseiros”.
“A sociedade não quer fórmulas repetidas e discursos grosseiros. Quer novas ideias, novas atitudes, novos projetos e um caminho diferente. Quer, portanto, reconexão. E reconexão é Flávio”, declarou.
Temer cita ataques de Lula
Temer também relacionou a decisão de apoiar Flávio às críticas que recebeu de Lula e de integrantes do PT desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016.
“Na sua concepção, se você fosse presidente chamado de golpista pelo outro lado e permanentemente o PT inteiro te chamando de golpista, qual seria sua posição?”, questionou.
Temer assumiu a Presidência em 2016 após o impeachment de Dilma, de quem era vice.
Apoio é pessoal
A manifestação representa uma posição pessoal de Temer. O MDB ainda não anunciou apoio a um dos dois candidatos no segundo turno.
No primeiro turno, o partido decidiu não apoiar uma candidatura presidencial e liberou os diretórios estaduais para estabelecer alianças conforme as disputas locais.
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança, com 56,1 milhões de votos, o equivalente a 47,03% dos válidos. Lula recebeu 53.879.538 votos, ou 45,16%.
Os dois candidatos voltam a disputar a Presidência no segundo turno, marcado para 25 de outubro.