A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ), neste domingo (25/10), coloca o Brasil na contramão do avanço de governos de direita na América Latina. Reeleito para o quarto mandato, o petista terá de negociar com países cada vez mais alinhados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um cenário de divergências políticas e disputas sobre o futuro da integração regional.
A mudança no cenário político latino-americano ganhou força em 2026, com as vitórias de Abelardo de la Espriella, na Colômbia, e Keiko Fujimori, no Peru. Os resultados ampliaram a presença de governos conservadores na região, movimento que também inclui Argentina, Chile e Paraguai.
Com a reeleição de Lula, o Brasil permanece entre os países governados pela esquerda na América do Sul, ao lado de Uruguai, Guiana e Venezuela, esta última sob tutela dos Estados Unidos.
Relações com os países vizinhos
O novo mandato de Lula começará em meio a diferentes níveis de aproximação com os governos sul-americanos.
No Chile, o presidente José Antonio Kast mantém uma relação institucional com o brasileiro, apesar das diferenças ideológicas. Após um encontro entre os dois, o chileno afirmou que cada governo busca o melhor para sua população, independentemente das posições políticas.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, também demonstrou disposição para o diálogo. Durante uma reunião do Mercosul, em junho, elogiou a experiência política de Lula.
A situação é diferente na Argentina e na Colômbia. O presidente argentino, Javier Milei, protagonizou episódios de confronto verbal com o petista, enquanto o colombiano Abelardo de la Espriella declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.
As divergências representam um desafio para a política externa brasileira, principalmente nas negociações comerciais e nas iniciativas de cooperação regional.
Influência de Trump na América Latina
A aproximação de governos latino-americanos com Washington também deve influenciar as relações diplomáticas do Brasil nos próximos quatro anos.
Donald Trump tem buscado ampliar a presença dos Estados Unidos na região por meio de alianças políticas e iniciativas de segurança.
Uma delas é o Escudo das Américas, formado por 15 países e apresentado pelo governo norte-americano como uma iniciativa de combate ao narcotráfico e à interferência estrangeira.
O Brasil deve permanecer fora da aliança durante o novo mandato de Lula, mantendo uma política externa voltada ao diálogo com diferentes parceiros internacionais.