Custo Brasil pesa no bolso e desafia quem tenta empreender no país

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O preço alto da comida, a conta de luz que não dá trégua, o custo para abrir ou manter um negócio próprio: no Brasil, esses fatores têm algo em comum. Eles fazem parte de um peso estrutural que vai além dos impostos e se infiltra em praticamente todas as etapas da economia.

Nas ruas de cidades percorridas pelo Grupo Bel em Minas Gerais, a população foi ouvida sobre a percepção em relação ao papel dos governos nesse cenário.

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Moradora de Montes Claros, no Norte de Minas, Eliete Rodrigues é direta: “o governo poderia dar uma ajuda melhor, sim, para reduzir o custo das coisas aqui no país.”

Em Poços de Caldas, no Sul de Minas, o vendedor ambulante André Venâncio pede menos burocracia para trabalhar.

“Às vezes a gente chega em alguma cidade, a rigorosidade é grande. E tem outras que facilitam mais. Essa é a dificuldade. Tem exigências que não chegam às nossas condições de trabalho, disse.

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Em Moeda, na Grande BH, Reinaldo Rufino, funcionário de um bar, convive com os impactos no dia a dia e não hesita ao definir o problema.

“O Custo Brasil é o que a gente paga em detrimento do que recebe. E não é nada vantajoso para quem paga. Para quem sustenta isso, está péssimo. Sem o governo seria pior, mas ele poderia ser muito mais eficiente. Hoje, é pouco eficiente. O Brasil precisava de uma reforma ampla — política, tributária, fiscal. O que a gente vê são ajustes pontuais. No fundo, pouca coisa muda”, afirmou.

Custo Brasil pode chegar a 20% do PIB

Estudos do Movimento Brasil Competitivo, em parceria com o Ministério da Economia, apontam que o chamado Custo Brasil pode chegar a cerca de 20% do PIB. O dado ajuda a explicar por que o país cresce menos do que poderia.

Para quem empreende, esse peso não aparece de uma vez — ele se acumula. Segundo Rogério Corgosinho, gerente da Unidade de Desenvolvimento Territorial e Serviços Financeiros do Sebrae Minas, o impacto cresce conforme o negócio se desenvolve.

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“No início, o empresário não percebe. Mas, à medida que a empresa avança, ele vai acumulando custos que acabam chegando ao cliente. A gente tem problemas com a produtividade da mão de obra, com a complexidade tributária e com o custo do crédito. A taxa de juros elevada impacta principalmente o pequeno negócio”, explicou.

Nos últimos anos, novos desafios se somaram aos antigos.

“Hoje, os pequenos negócios enfrentam uma concorrência muito forte com o comércio online. Eles precisam ser mais competitivos, mas muitas vezes esbarram justamente no Custo Brasil”, afirmou.

Para Corgosinho, há três pontos críticos que seguem sem solução definitiva: o acesso ao crédito, a complexidade tributária e a mão de obra.

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Diante desse cenário, governos passaram a adotar medidas com foco na simplificação e na redução da burocracia. Em Minas, entre os avanços recentes estão a flexibilização para abertura de empresas – com a dispensa de alvará para atividades de baixo risco -, a criação da chamada aprovação tácita, que estabelece prazos para o poder público e libera automaticamente pedidos que não forem analisados a tempo, e a expansão de programas estaduais, como o Minas Livre para Crescer, que padroniza regras e reduz exigências em mais de 600 municípios.

Ao mesmo tempo, o governo estadual ampliou o uso da Análise de Impacto Regulatório, exigindo que novas normas considerem o custo que impõem à economia. É uma mudança silenciosa, mas significativa: regular deixa de ser apenas criar regras e passa a incluir a responsabilidade sobre seus efeitos.

Reduzir esse peso é um processo lento, que depende de continuidade e coordenação – inclusive política – com reformas mais amplas e permanentes. O desafio é enfrentar um entrave estrutural que desorganiza a economia e limita o potencial de crescimento do país.

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Júlio Vieira

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