Um grupo formado por ex-ministros do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), políticos e intelectuais ligados à centro-direita declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste sábado (17/10). Em manifesto divulgado durante um encontro em São Paulo, os signatários afirmam que a continuidade do governo petista oferece melhores condições para preservar direitos e a estabilidade institucional. O documento também aponta riscos que, na avaliação do grupo, seriam representados por uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL).
Entre os apoiadores estão o jurista Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça e um dos autores do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero e Beatriz Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Ao todo, quatro ex-ministros do governo FHC assinaram o documento. O apoio reúne personalidades que historicamente tiveram divergências políticas com Lula e o PT.
“Neste segundo turno, o Brasil está diante de uma escolha que ultrapassa diferenças partidárias e preferências ideológicas”, afirma o manifesto.
Os signatários defendem a preservação do equilíbrio entre os Poderes, das liberdades democráticas e das conquistas sociais. Também destacam a necessidade de crescimento econômico, geração de empregos, proteção ambiental e redução das desigualdades.
Na avaliação do grupo, a reeleição de Lula permitiria manter essas políticas e evitar retrocessos institucionais. Já o projeto de Flávio Bolsonaro é apontado pelos autores como uma ameaça a direitos consolidados e às relações internacionais do Brasil.
O documento ressalta, entretanto, que o apoio eleitoral não representa concordância integral com o atual governo.
“Muitos de nós temos diferenças com o presidente Lula e críticas a seu governo, e preservaremos nossa independência para expressá-las”, diz um trecho.
Alckmin, Haddad, Marina e Tebet participam de encontro
O manifesto foi apresentado durante o “Encontro pela democracia, pela estabilidade, pela justiça socioambiental e pelo Brasil”, realizado em São Paulo.
A reunião contou com a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e dos ex-ministros Fernando Haddad (PT), Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).
Antes do encontro, Alckmin defendeu a continuidade do crescimento econômico e a distribuição de renda. Durante a reunião, classificou a reeleição de Lula como uma “medida civilizatória”.
Marina Silva destacou a participação de pessoas que não pertencem aos partidos de esquerda nas mobilizações em apoio ao presidente.
“Há uma profusão de movimentos pró-Lula acontecendo nesse país para virar voto. É um grupo de pessoas que são pessoas do campo democrático, mas não são necessariamente dos partidos de esquerda”, afirmou.
O apoio ocorre na última semana da campanha presidencial. Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno no domingo (25/10).