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‘Mineiro já nasce devendo R$ 60 mil’, diz Roscoe ao defender eficiência do Estado

Por Igor Teixeira Rede 98
20/08/2026 15:11 Atualizado há 1 hora
(Foto: Igor Teixeira/ 98News)

O candidato ao governo de Minas Flávio Roscoe (PL) defendeu ampliar parcerias com hospitais filantrópicos para reduzir filas na saúde, integrar os sistemas de transporte público e atacar gargalos viários da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Durante encontro da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Granbel), nesta quinta-feira (20/8), o presidente licenciado da Fiemg também apontou o planejamento urbano integrado como caminho para reduzir gastos públicos e defendeu políticas habitacionais que priorizem a permanência das pessoas próximas aos locais onde vivem e trabalham. Roscoe afirmou ainda que pretende aumentar a eficiência do Estado para liberar recursos destinados aos municípios.

Promovido pela Granbel na sede da CDL-BH, em Belo Horizonte, o encontro teve cinco rodadas de perguntas aos candidatos. Os temas foram definidos a partir de problemas enfrentados pelas prefeituras da Região Metropolitana, com espaço ainda para considerações finais.

Saúde e superlotação das UPAs

Roscoe afirmou que a falta de recursos atravessa diferentes problemas enfrentados pelo poder público e defendeu que o Estado estabeleça prioridades para direcionar o dinheiro disponível às áreas de maior retorno para a população.

Na saúde, o candidato apontou o deslocamento de pacientes do interior para a Região Metropolitana como um dos fatores de pressão sobre o sistema. Segundo Roscoe, ampliar a capacidade de atendimento em outras regiões do estado evitaria parte desses deslocamentos e reduziria o impacto sobre os municípios da Grande BH.

O candidato também defendeu o uso de tecnologia no acompanhamento preventivo da população. Ele citou a possibilidade de uma ferramenta digital do Estado que reunisse informações fornecidas pelos próprios usuários e oferecesse orientações de saúde.

Para enfrentar problemas imediatos, como filas para procedimentos de alta complexidade, Roscoe propôs ampliar parcerias com hospitais filantrópicos que já possuem estrutura disponível.

Segundo ele, o Estado poderia investir na expansão de leitos de Centros de Terapia Intensiva (CTIs) e Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) nessas instituições enquanto projetos estruturantes não ficam prontos.

Roscoe argumentou que grandes obras públicas podem levar anos para sair do papel e, por isso, medidas de curto prazo precisam caminhar junto com investimentos de longo prazo.

Integração e redução do custo do transporte

Na discussão sobre transporte público, Roscoe relacionou o preço das passagens aos problemas de mobilidade da Região Metropolitana. Segundo ele, congestionamentos aumentam o tempo das viagens e obrigam as empresas a manter mais veículos, motoristas e estrutura para transportar a mesma quantidade de passageiros.

A proposta do candidato passa pela integração dos sistemas municipais e pela realização de obras para eliminar gargalos viários.

Roscoe afirmou que retirar passageiros do sistema sem reduzir os custos pode exigir aumento do subsídio público ou das tarifas cobradas dos demais usuários. Para ele, a prioridade deve ser tornar a operação mais eficiente.

“O que nós temos que fazer é retirar custo do sistema. Retirar custo do sistema através de eficiência”, afirmou.

O candidato também apontou cinco gargalos viários na Região Metropolitana que, segundo ele, prejudicam o trânsito e encarecem o transporte coletivo. Roscoe defendeu intervenções nesses pontos como uma das prioridades de um eventual governo.

Planejamento urbano integrado

Roscoe defendeu a elaboração de um planejamento urbano integrado para os municípios da Região Metropolitana e criticou o atual Plano Diretor de Belo Horizonte.

Segundo o candidato, decisões tomadas na capital acabam produzindo efeitos nas cidades vizinhas. Por isso, políticas de mobilidade, saneamento e ocupação urbana deveriam considerar a Região Metropolitana como um conjunto.

Para Roscoe, um planejamento coordenado também permitiria utilizar melhor os recursos públicos.

“Por que é importante o planejamento urbano? Porque fica mais barato prestar o serviço público de qualidade”, afirmou.

O candidato disse que o governo estadual deve atuar como indutor, oferecendo incentivos para que os municípios adotem soluções de planejamento que favoreçam a integração regional.

Habitação próxima aos locais de trabalho

Ao tratar dos problemas sociais e habitacionais da Região Metropolitana, Roscoe afirmou que parte da população prefere permanecer em moradias precárias próximas ao trabalho a mudar para locais distantes.

O candidato citou moradores de favelas e áreas de encosta e defendeu que políticas habitacionais considerem primeiro a possibilidade de melhorar as condições de moradia nos locais onde essas pessoas já vivem.

Segundo Roscoe, transferir uma família para uma cidade distante pode criar novos problemas de mobilidade caso seus integrantes continuem trabalhando em Belo Horizonte.

A proposta apresentada pelo candidato envolve a revitalização dessas áreas e mudanças no planejamento urbano para permitir novas soluções habitacionais.

Estado como indutor dos municípios

Roscoe afirmou que os municípios estão mais próximos das demandas cotidianas da população e defendeu que o governo estadual tenha como função apoiar e incentivar as administrações municipais.

“O prefeito, quando vai almoçar, o cidadão chega para ele. Quando vai à academia, quando vai andar no parque ou correr na rua, o cidadão está lá”, afirmou.

Para o candidato, aumentar a capacidade financeira do Estado depende da geração de riqueza e de maior eficiência da administração pública.

Nas considerações finais, Roscoe usou sua experiência à frente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) como exemplo do modelo de gestão que pretende levar ao governo. Ele citou investimentos realizados nos últimos anos, valorização dos trabalhadores e expansão do número de alunos atendidos pelo sistema ligado à entidade.

Roscoe afirmou que resultados semelhantes podem ser alcançados no governo estadual a partir de metas, eficiência administrativa e definição de prioridades para o uso dos recursos públicos.

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Igor Teixeira
Igor Teixeira
Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, é repórter de cidades e política da 98FM. Tem passagens pela TV Alterosa e Itatiaia.