Uma pergunta é recorrente no debate econômico, especialmente em momentos de desaceleração: emprego temporário resolve o problema do mercado de trabalho?
Em períodos de fim de ano, grandes eventos, safras agrícolas ou programas emergenciais do governo, a geração de vagas temporárias costuma ser celebrada como sinal de recuperação econômica. Mas é preciso ir além do número imediato e olhar para a qualidade e a sustentabilidade dessas vagas. O emprego temporário cumpre um papel importante no curto prazo.
Ele ajuda a suavizar flutuações sazonais da economia, permite que empresas ajustem sua força de trabalho a picos de demanda e gera renda imediata para trabalhadores que, muitas vezes, estavam fora do mercado. Do ponto de vista social, isso não é irrelevante. Há alívio de renda, redução na meta de desemprego e algum fôlego para o consumo.
O problema começa quando o emprego temporário passa a ser tratado como uma solução estrutural. Vagas temporárias, por definição, têm data para acabar. Elas não geram estabilidade, não incentivam o investimento em qualificação e não criam vínculos duradouros entre trabalhador e empresa. Quando o ciclo sazonal termina, o desemprego reaparece, muitas vezes com mais frustração e insegurança.
Economias que crescem de forma consistente não o fazem por meio de contratações episódicas, mas pela criação de empregos permanentes, produtivos e bem remunerados. Isso exige investimento privado, aumento de produtividade, inovação e um ambiente institucional que reduza riscos. Empresas só contratam de forma duradoura quando têm previsibilidade, regras claras, segurança jurídica e custo de capital compatível com projetos de longo prazo.
Há também um efeito estatístico que precisa ser observado com cuidado. O aumento do emprego temporário pode melhorar os números oficiais no curto prazo, mas não melhora os fundamentos do mercado de trabalho. Ao contrário: pode mascarar problemas estruturais, como baixa qualificação, informalidade elevada e pouca geração de valor agregado na economia.
Quando o governo tenta estimular o emprego apenas por meio de programas temporários ou incentivos de curtíssimo prazo, o resultado costuma ser o mesmo: custo fiscal elevado e impacto limitado no tempo. Sem atacar os entraves à produtividade — como a burocracia excessiva, o sistema tributário complexo, a infraestrutura precária e a insegurança regulatória —, o emprego criado não se sustenta.
Em economia, não existe alquimia. Não há atalhos para gerar emprego de qualidade de forma permanente. Trabalho duradouro nasce de investimento, produtividade e confiança no futuro. O emprego temporário pode ajudar, pode aliviar, mas não substitui reformas, crescimento sustentado e um ambiente de negócios funcional. Olho no mercado de trabalho neste início de ano.
