Cleitinho Azevedo vai vencer a eleição deste ano? A pergunta me foi feita por um amigo, profundo conhecedor do mercado financeiro e do setor de energia, mas que observa o cenário político sem o viés de quem busca investimentos. Sem pretender fazer previsões, elenco aqui alguns pontos que o tornam um candidato de altíssima competitividade.
O grande trunfo de Cleitinho é a sua versatilidade — o que inclui a habilidade de não depender exclusivamente do “lulismo” ou do “bolsonarismo” para se sustentar. Da escolha dos temas que aborda nas redes sociais à capacidade de mudar de posição quando necessário, tudo parece permitido ao senador. No mesmo intervalo de dias, ele consegue transitar entre a gratidão pública a Bolsonaro e a adesão a pautas ligadas à esquerda, como a mudança da jornada 6×1.
O senso de identificação do eleitorado nasce justamente dessa agilidade. Se precisar pedir desculpas, ele pede; se precisar ofender, ofende. A naturalidade do seu discurso vem da maneira acelerada e eloquente com que se comunica, ele é sempre alguém “do povo”.
Embora não seja o maior fenômeno político recente de Minas — posto ocupado por Nikolas Ferreira (PL) —, Cleitinho é, sem dúvida, o segundo. Esse capital político já lhe garantiu uma cadeira no Senado, superando figuras como Alexandre Silveira e Marcelo Aro. Pra isso, venceu máquinas partidárias pesadas, impulsionadas por Lula e Zema.
O segredo? A onipresença digital. Cleitinho ocupa a 15ª posição entre os políticos com mais seguidores no Instagram no Brasil. Não é pouca coisa: esse “megafone” digital garante alcance imediato para pautas populares — e por vezes populistas —, como a crítica aos radares, a isenção de IPVA para carros antigos e proibições de cortes de serviços.
Sua postura de “outsider” é alimentada por propostas que ignoram efeitos colaterais técnicos em favor do apelo popular direto: sugerir e mostrar como fazer desvios de radares, proibir o recolhimento de CNH por dívidas ou impedir concessionárias de energia de cobrarem por serviços remotos. Ele está sempre à espreita da próxima pauta de grande repercussão, a última, o caso envolvendo a marca Ypê e a Anvisa.
Por esses fatores, pode parecer fácil prever sua vitória em uma eleição que, neste momento, baseia-se muito mais no recall do que na consolidação do voto. Mas o “parece” é a palavra-chave. Exemplos de potência nas redes sociais, isoladamente, nem sempre garantem o resultado nas urnas. Máquinas partidárias e a estrutura governamental ainda têm peso decisivo que não pode ser subestimado.