Preencha os campos abaixo para iniciar a conversa no WhatsApp

Peça um Rock
Anuncie Aqui
  • Ao vivo
  • BH e região
  • Atlético
  • Cruzeiro
  • Economia
  • Política
  • Colunistas
  • Dia Livre de Impostos – Lojista
  • Plateia 98
  • Assine a Update
  • Ao vivo
  • BH e região
  • Atlético
  • Cruzeiro
  • Economia
  • Política
  • Colunistas
  • Dia Livre de Impostos – Lojista
  • Plateia 98
  • Assine a Update
  • Ao vivo
  • Ao vivo
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Guarda Nacional: solução real ou vitrine eleitoreira

Por

Paulo Leite

Paulo Leite
  • 10/04/2026
  • 09:00

Siga no

Lula decide hoje sanção de projeto que asfixia finanças do crime organizado. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Compartilhar matéria

A volta da proposta de criação de uma Guarda Nacional pelo presidente Lula recoloca em cena um daqueles debates em que a forma faz quase tanto barulho quanto o conteúdo. 

Ao afirmar, no início de abril, que a PEC da Segurança permitirá “definir a criação de uma Guarda Nacional muito eficaz para fazer intervenções, quando necessário”, Lula associou a ideia a uma remodelação mais ampla do papel da União na segurança pública. A PEC 18/2025 foi enviada pelo governo ao Congresso em abril de 2025, aprovada pela Câmara em março de 2026 e agora tramita no Senado.

Curiosamente nos primeiros dias de 2023, início de mandato do petista, foi atribuída a Lula a ideia da criação de uma Guarda Nacional. Segundo o que afirmava o Palácio do Planalto, o texto estaria pronto para ser enviado ao Congresso. Por que só agora, depois dos acontecimentos do Rio de Janeiro no ano passado, da queda de popularidade do Presidente, da iminente derrota nas urnas e em ano eleitoral, essa proposta é reaquecida?

A resposta se torna desnecessária diante de tanta evidência. No papel, a proposta pode ser apresentada como resposta à expansão do crime organizado e à necessidade de integração nacional. No debate público, porém, ela desperta críticas em várias frentes. 

Assunto delicado para governadores e prefeitos

A primeira é política e federativa. Segurança pública, no Brasil, sempre foi terreno delicado para os estados. Quando a União ensaia criar mais um braço operacional, governadores, corporações e especialistas tendem a farejar o risco de centralização excessiva. Para muita gente, Brasília pode estar querendo ampliar comando sobre uma área em que já coexistem PM, Polícia Civil, guardas municipais, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, polícia penal e a própria Força Nacional de Segurança. A promessa oficial é integração. A desconfiança dos críticos é sobreposição, disputa de poder e mais ruído institucional.

Essa preocupação não brota do nada. A própria PEC reorganiza competências entre União, estados e municípios, constitucionaliza diretrizes do Sistema Único de Segurança Pública e amplia possibilidades de atuação articulada entre os entes federativos. Isso pode ser lido como modernização, mas também pode ser lido como expansão do protagonismo federal sobre um sistema historicamente descentralizado. Em matéria de segurança, esse tipo de mudança nunca acontece sem deixar poeira no ar.

Com cara de solução arranjada

A segunda crítica é institucional, talvez a mais substantiva. O Brasil não sofre apenas de falta de estruturas formais. Sofre de inteligência fragmentada, investigação desigual entre os estados, fronteiras porosas, sistemas de informação que ainda não conversam como deveriam e um sistema prisional frequentemente desorganizado. Nesse ambiente, criar uma nova força permanente aparece como solução de vitrine antes de resolver o básico. 

É a velha tentação brasileira de responder a um problema de coordenação com a criação de mais uma engrenagem. Quando a máquina emperra, fabrica-se outra máquina, e torce-se para que o barulho pareça eficiente.

Quem paga a conta?

Há ainda a crítica orçamentária e administrativa. Uma força nacional permanente não nasce de discurso. Exige recrutamento, concurso, treinamento, doutrina, corregedoria, bases, logística, armamento, inteligência, cadeia de comando e mecanismos de controle externo. Tudo isso custa caro e demora. 

]Mais que isso: exige clareza de missão. Sem um desenho institucional muito bem delimitado, uma Guarda Nacional pode acabar ocupando um espaço cinzento entre o apoio federativo, a atuação ostensiva e a intervenção federal. Nesse caso, a estrutura corre o risco de nascer politicamente vistosa, mas operacionalmente redundante. A história administrativa brasileira está cheia de órgãos que estrearam sob a música de trombetas e depois foram engolidos pela névoa da duplicação de funções.

Um instrumento perigoso

Existe também uma crítica democrática que não pode ser descartada com leviandade. Toda força federal voltada a “intervenções” desperta perguntas inevitáveis: quem aciona, em quais hipóteses, sob quais limites legais e com que fiscalização? 

Em um país polarizado, qualquer instrumento de atuação federal na segurança pública será inevitavelmente observado também pelo prisma político. Mesmo quando o discurso oficial fala em combate ao crime organizado, a interrogação permanece de pé. Até onde vai a necessidade operacional e onde começa o risco de elasticidade política?

Outra observação importante diz respeito à coerência histórica do projeto. A ideia de uma Guarda Nacional permanente já havia sido anunciada em janeiro de 2023, logo após os ataques de 8 de janeiro, com foco na proteção de prédios públicos federais, fronteiras, terras indígenas e apoio à segurança dos estados. Na ocasião, o então ministro da Justiça, Flávio Dino, afirmou que a proposta havia sido um pedido do próprio Lula e que substituiria a Força Nacional por uma corporação com comando próprio. Agora, a proposta reaparece encaixada numa reforma mais ampla da segurança pública. 

Isso evidencia a percepção de que o projeto mudou de roupa ao longo do tempo, mas ainda carrega indefinições de origem sobre missão, alcance e limites.

Não existe mágica

No centro da discussão está uma verdade desconfortável, a segurança pública não melhora por mágica simbólica. Não melhora só com novo nome, novo brasão e nova farda. Melhora com coordenação real, inteligência compartilhada, metas claras, responsabilização e capacidade de execução. O texto da PEC fala em cooperação, interoperabilidade, compartilhamento de informações e ação articulada entre os entes. Isso aponta para um caminho relevante. Mas a criação de uma Guarda Nacional, por si só, não resolve automaticamente a fragmentação que o próprio sistema acumulou.

Em resumo: há o risco de vender musculatura institucional sem garantir eficácia concreta. No discurso, a ideia soa como demonstração de firmeza. Na prática, poderá representar apenas mais uma camada de centralização, custo e disputa burocrática, caso não venha acompanhada de desenho preciso e resultados verificáveis. 

Segurança pública é assunto sério demais para viver de pirotecnia administrativa. E o país já aprendeu, a duras penas, que a sirene ligada nem sempre significa rumo certo.

Compartilhar matéria

Gostou desta notícia?

→ Comece seus dias sempre atualizado com o que rola de relevante nos negócios, economia e tecnologia em Minas Gerais, no Brasil e no Mundo.

98 News

Siga no

Paulo Leite

Paulo Leite

Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks. Apresentador do programa Café com Leite.

Webstories

A história do jogo de Campeonato Mineiro que Ronaldo Fenômeno nunca esqueceu

Cinco ‘podrões’ imperdíveis na Grande BH

Mais de Entretenimento

Mais de Colunistas

Tributação do VGBL na sucessão: o novo entendimento da Receita e os caminhos de discussão jurídica

Transporte coletivo é chave para cidades mais eficientes

Tensão no Oriente Médio agita mercados e Ibovespa

Caducidade em concessões reacende debate regulatório

Receita muda regra do VGBL e impacta heranças

Serraria Souza Pinto reabre e mira 100 eventos ao ano

Últimas notícias

Ingressos do BTS no Brasil entram em venda geral pela Ticketmaster

Rio Acima tem mais uma edição do Festival da Goiaba com shows gratuitos até domingo

Canetas emagrecedoras são apreendidas em MG após uso indevido de nome de médico

Japão anuncia nova liberação de reservas de petróleo para enfrentar riscos de oferta

João Fonseca vence set, mas é superado por Zverev em Monte Carlo

UFMG busca voluntários para avaliar como atividade física impacta controle de diabetes tipo 2

Palmeiras assina novo contrato de naming rights e Allianz Parque terá novo nome

Novo cangaço: bandidos explodem agência bancária na Zona da Mata mineira; veja vídeo

Walace treina separado e aguarda definição sobre futuro no Cruzeiro

  • Notícias
  • Auto
  • BH e Região
  • Brasil
  • Carreira
  • Meio Ambiente
  • Mercado
  • Minas Gerais
  • Mundo
  • Política
  • Tecnologia
  • Esportes
  • América
  • Atlético
  • Cruzeiro
  • Futebol em Minas
  • Futebol no Brasil
  • Futebol no Mundo
  • Mais Esportes
  • Seleção Brasileira
  • Entretenimento
  • Agenda
  • Cinema, TV e Séries
  • Famosos
  • Nas Redes
  • Humor
  • Música
  • Programas 98
  • No Fundo do Baú
  • Central 98
  • 98 Esportes - 1ª edição
  • 98 Dá O Play
  • 98 Futebol Clube
  • Graffite
  • Talks
  • 98 Esportes - 2ª edição
  • Jornada Esportiva
  • Os Players
  • Matula
  • Buteco
  • Redes Sociais 98
  • @rede98oficial
  • @rede98oficial
  • /rede98oficial
  • @98live
  • @98liveesportes
  • @98liveshow
  • @rede98oficial
  • Redes Sociais 98 News
  • @98newsoficial
  • @98newsoficial
  • /98newsoficial
  • @98newsoficial
  • /98-news-oficial

Baixe Nosso Aplicativo

Siga a Rede 98 no

  • Ao Vivo na 98
  • Contato
  • Anuncie na 98
  • Termos de Uso e Política de Privacidade

Rede 98 © 2021-2025 • Todos os direitos reservados

Avenida Nossa Senhora do Carmo, 99, Sion - 30.330-000 - Belo Horizonte/MG

  • Ao vivo
  • Plateia 98
  • Assine a Update
  • Notícias
  • BH e região
  • Brasil
  • Economia
  • Meio Ambiente
  • Mercado Automotivo
  • Mundo
  • Política
  • Saúde
  • Tecnologia
  • Esportes
  • América
  • Atlético
  • Cruzeiro
  • Futebol no Mundo
  • Mais Esportes
  • Olimpíadas
  • Seleção Brasileira
  • Entretenimento
  • Agenda
  • Famosos
  • Gastronomia
  • Humor
  • Música
  • Redes