Um novo conjunto de mensagens e áudios atribuídos ao material extraído do celular de Daniel Vorcaro coloca agora sob escrutínio também a relação do banqueiro com o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal.
Os registros divulgados indicam que o advogado Ciro Rocha Soares, que atuou para Vorcaro, mantinha interlocução com Mendonça e teria organizado uma aproximação entre o ministro e o banqueiro.
Há ainda registros convergentes indicando que Vorcaro teria se encontrado com André Mendonça em 14 de março de 2025, em São Paulo, no endereço do Instituto ITER, instituição da qual o ministro é fundador.
Áudios atribuídos a Ciro Soares, e divulgados hoje pelo portal ICL Notícias, mostram também o advogado dizendo a Vorcaro que Mendonça já conhecia os problemas enfrentados pelo Banco Master no Banco Central e que tanto ele quanto o deputado Cezinha de Madureira haviam tratado do assunto com o ministro.
Até o momento, entretanto, não há prova pública de que André Mendonça tenha interferido no Banco Central, na Polícia Federal ou em qualquer outro órgão em benefício de Vorcaro.
O ponto que exige esclarecimento é outro: se o encontro ocorreu, qual foi seu conteúdo e se Mendonça informou posteriormente ao STF que havia mantido contato com o principal investigado antes de assumir a relatoria do caso Master.
Procurei a assessoria do Supremo Tribunal Federal por mensagem para obter esclarecimentos sobre o encontro e a relação entre André Mendonça e Daniel Vorcaro. Até a publicação desta nota, não obtive resposta.
O tema ganha relevância adicional porque Mendonça é hoje justamente o ministro responsável por conduzir no Supremo as apurações que revelaram as relações de Daniel Vorcaro com outras autoridades, entre elas Alexandre de Moraes.
A pergunta, portanto, passa a valer para todos: no caso Master, transparência não pode ser exigência dirigida apenas aos outros.
