A nova disputa entre grandes empresas de comércio eletrônico por entregas mais rápidas e fretes mais baratos está transformando Minas Gerais em um dos principais polos logísticos do país. O movimento envolve plataformas como Mercado Livre, Amazon e Magazine Luiza, que nos últimos anos passaram a investir em centros de distribuição e rotas logísticas no estado para acelerar a entrega de produtos.
A escolha por Minas ocorre pela localização estratégica no Sudeste, pela maior malha rodoviária do Brasil e pelo crescimento do consumo regional, fatores que permitem distribuir mercadorias com rapidez para diferentes mercados.
Segundo o economista Gustavo Andrade, a disputa entre as plataformas mudou de patamar. Se antes o foco era ampliar o número de produtos e vendedores, agora a vantagem competitiva está na eficiência logística. “Isso é competição via preço pura e simples. Para entregar mais rápido e com frete menor, as empresas precisam sacrificar margem. Quem ganha o jogo é quem tem mais espaço financeiro para fazer isso”, explica.
Nesse cenário, o especialista avalia que o Mercado Livre aparece hoje como o principal vencedor dessa corrida, especialmente pela estrutura logística construída nos últimos anos. “Claramente o vencedor primário disso é o Mercado Livre. Não só pelo tamanho, mas porque ele construiu o melhor processo logístico para atender o consumidor”, afirma.
A vantagem operacional da empresa é reconhecida inclusive pelos concorrentes. De acordo com Gustavo, executivos do setor já destacaram que competir com a eficiência logística da plataforma é um dos principais desafios do mercado. “A discussão hoje é sobre operação, e operação significa logística. Quem tiver o melhor sistema de centros de distribuição e tecnologia embutida nesses processos sai na frente”, diz.
Essa mudança também explica o crescimento de investimentos logísticos em Minas Gerais. A posição geográfica do estado permite que centros de distribuição instalados na região atendam rapidamente mercados importantes como São Paulo, Rio de Janeiro e o próprio interior mineiro. “Minas tem uma capilaridade muito forte para receber investimento logístico. Um centro de distribuição instalado aqui consegue distribuir para vários estados com rapidez”, destaca o economista.
Municípios como Extrema, no Sul de Minas, e cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte, como Contagem e Betim, já se consolidam como polos logísticos. Em alguns desses locais, a demanda por galpões industriais cresceu tanto que já há escassez de áreas disponíveis.
“Em regiões como Contagem e Betim praticamente não há mais espaço para construir novos galpões logísticos. Quem tem área disponível hoje não vende barato”, afirma Andrade.
Para os consumidores mineiros, o avanço dessa infraestrutura pode significar entregas mais rápidas e maior concorrência entre plataformas, o que tende a pressionar preços para baixo. Segundo o economista, esse movimento gera benefícios diretos para quem compra online.
“Essa competição é ruim para as empresas porque reduz margem, mas é excelente para o consumidor. Ela aumenta a variedade de produtos e reduz o preço final pago nas compras”, explica.
Ao mesmo tempo, o crescimento do e-commerce também traz novos debates regulatórios. Em Brasília, avança a discussão sobre regras para o trabalho de entregadores, enquanto em cidades como Belo Horizonte surgem propostas para regulamentar o acesso desses profissionais a prédios residenciais.
Para o economista, essas decisões podem influenciar o ritmo de expansão do setor. “Grande parte dessas entregas é feita por trabalhadores autônomos ligados aos centros de distribuição. Se as regras mudarem, é preciso avaliar qual será o impacto sobre essas pessoas e sobre o próprio modelo de logística das empresas”, afirma.
