Um dos nomes por trás da campanha de Gabriel Azevedo, o especialista em marketing político Alberto Lage, avaliou que a maior exposição na televisão e a adoção de um discurso menos agressivo contribuíram para o crescimento de Augusto Cury nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República.
Em entrevista à 98 News, o especialista destacou a participação de Cury no debate da Band como um dos momentos que ampliaram a exposição da candidatura. Na avaliação de Alberto Lage, o programa ajudou a apresentar ao público não apenas o escritor conhecido pelos livros, mas o Augusto Cury como candidato à Presidência.
Ele argumentou ainda que a popularidade anterior do escritor, por si só, não explica a mudança. Segundo ele, Cury já aparecia em levantamentos eleitorais anteriores sem alcançar os mesmos percentuais registrados mais recentemente.
“Existiram várias pesquisas que o nome do Augusto Cury estava lá e as pessoas não marcavam o nome e agora passaram a marcar”, afirmou.
Discurso menos agressivo
Outro fator apontado pelo especialista foi a postura adotada por Cury diante dos adversários. Alberto Lage mencionou como exemplo o confronto com Renan Santos durante o debate da Band, quando Augusto Cury questionou o tom adotado pelo adversário.
Para o especialista, o episódio ajudou a diferenciar o escritor em uma disputa marcada pela polarização e por candidatos com discursos mais confrontativos. Lage resumiu o movimento como uma “busca por alguém que pareça normal”. Na avaliação dele, o desempenho recente indica que uma parcela do eleitorado passou a se identificar com essa postura.
Exposição na TV
Ao analisar o caso de Cury, o especialista em marketing político também destacou a influência que a televisão mantém nas campanhas eleitorais, mesmo com o crescimento das redes sociais.
Para o especialista, uma declaração feita em um debate ou em uma entrevista de televisão adquire uma dimensão diferente de um conteúdo produzido diretamente para as plataformas digitais. Esses momentos também podem ser recortados e posteriormente distribuídos nas redes, ampliando o alcance da exposição original.
“A TV e o rádio ajudam a dar um senso de ‘agora é para valer'”, afirmou.
Segundo Alberto Lage, a entrada dos candidatos em debates, entrevistas e na propaganda eleitoral de rádio e televisão funciona como um marco para o eleitor, que passa a perceber a disputa de forma mais concreta.