O jornalista e escritor mineiro Lindolfo Paoliello lança “A Guerra de cada um”, coletânea de crônicas escritas entre as décadas de 1980 e 2000. A obra reúne textos inspirados em situações do cotidiano e em experiências pessoais, propondo reflexões sobre memória, relações humanas, sociedade e os desafios enfrentados por cada indivíduo ao longo da vida. Durante entrevista ao 98 News, o autor explicou que o livro chega às livrarias entre os dias 10 e 15 de julho.
Segundo Paoliello, o título não faz referência a uma única história, mas sintetiza a proposta da obra, que retrata os diferentes propósitos e conflitos vividos pelas pessoas.
“Cada um tem um propósito. Cada um coleciona vitórias e algumas derrotas ao longo da vida. De repente dá certo, de repente dá errado. Isso é a guerra de cada um. Coitado daquele que não tem essa guerra íntima, porque não tem um propósito”, afirmou.
O escritor explicou que a publicação segue uma tradição entre cronistas brasileiros de reunir, em livro, textos originalmente publicados em jornais. Nesta edição, ele selecionou crônicas produzidas ao longo de cerca de duas décadas.
Para Paoliello, o gênero permite transformar acontecimentos comuns em reflexões permanentes, diferentemente do texto jornalístico, voltado ao registro imediato dos fatos.
“O repórter registra o fato. Já o cronista participa dele. Ele observa o mundo, passa aquilo pela própria experiência e transforma o cotidiano em literatura”, destacou.
Machado de Assis como inspiração
O autor contou que uma das crônicas do livro nasceu a partir de um texto de Machado de Assis sobre um incêndio. A partir dessa referência, Paoliello construiu uma reflexão sobre guerra, paz e solidariedade, relacionando o tema ao crescimento da indústria bélica.
“Não vale a pena um país aumentar o Produto Interno Bruto acendendo o charuto na miséria alheia”, disse, ao defender que o desenvolvimento econômico não deve estar associado à produção de armamentos.
Crônica como porta de entrada para a literatura
Durante a entrevista, Paoliello também defendeu a importância da crônica para preservar referências culturais e estimular a leitura, especialmente entre os jovens. Para ele, a rapidez do consumo de informação torna o gênero ainda mais relevante.
“A crônica é a porta de entrada para a literatura porque é síntese. O leitor contemporâneo precisa disso. Ela é leve, tem humor, melancolia e facilita a leitura. É um texto que pode ser lido na piscina, no ônibus ou na sala de espera. Essa facilidade aproxima o leitor dos livros”, afirmou.
Ao comentar o papel do gênero, o escritor também criticou a pouca atenção dedicada à crônica nas universidades e ressaltou que ela ajuda a preservar a memória e a oferecer referências históricas e culturais para as novas gerações.
