Preencha os campos abaixo para iniciar a conversa no WhatsApp

Peça um Rock
Anuncie Aqui
  • Ao vivo
  • BH e região
  • Atlético
  • Cruzeiro
  • Economia
  • Política
  • Colunistas
  • Dia Livre de Impostos – Lojista
  • Plateia 98
  • Assine a Update
  • Ao vivo
  • BH e região
  • Atlético
  • Cruzeiro
  • Economia
  • Política
  • Colunistas
  • Dia Livre de Impostos – Lojista
  • Plateia 98
  • Assine a Update
  • Ao vivo
  • Ao vivo
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Menos ilusão, mais gestão: Zema aposta no cansaço do Brasil

Por

Paulo Leite

Paulo Leite
  • 20/04/2026
  • 20:00

Siga no

Romeu Zema
Zema em entrevista ao Café com Leite (Foto: Reprodução/YouTube)

Zema em entrevista ao Café com Leite (Foto: Reprodução/YouTube)

Compartilhar matéria

Romeu Zema iniciou sua entrevista ao Café com Leite, podcast da 98 News, que também está no YouTube, menos como um político em busca de aplauso e mais como um intérprete de um sentimento que cresce no país, o de que o Brasil chegou a um ponto em que já não há muito espaço para fantasia fiscal, improviso administrativo e promessas sem lastro. Sua fala não soou como a de um candidato que pretende encantar. Soou como a de alguém que tenta convencer o eleitor de que o próximo presidente herdará um país espremido entre um Estado caro, uma sociedade cansada e instituições cada vez mais tensionadas. Esse é o ponto central da conversa.

Seria injusto tratar esse discurso apenas como peça eleitoral. Há política, evidentemente. Mas há também a realidade. O próprio governo federal enviou ao Congresso a proposta de LDO de 2027 com meta de superávit primário de R$73,2 bilhões, equivalente a 0,5% do PIB, justamente no primeiro ano do próximo mandato presidencial. Ao mesmo tempo, a equipe econômica já trabalha com medidas para frear o crescimento de despesas com pessoal e benefícios fiscais a partir de 2027, numa admissão clara de que o espaço orçamentário está cada vez mais apertado. Até a Instituição Fiscal Independente do Senado classificou a meta como ambiciosa e de difícil cumprimento.

Nesse ambiente, Zema não quis parecer deslocado do debate nacional, ele busca ocupar um vazio. Enquanto parte da política brasileira ainda vende solução mágica, ele oferece um vocabulário de contenção, produtividade, redução do tamanho do Estado e combate a privilégios. Seu plano de governo divulgado pelo Novo prevê privatizações, inclusive de estatais federais, e o fim do que chama de “penduricalhos”, além de insistir na tese de um choque de gestão em escala nacional. Pode-se concordar ou não com a receita, mas ela dialoga com um problema concreto. O próximo presidente tomará posse com margem estreita para errar e com pouca gordura fiscal para distribuir generosidade retórica.

A entrevista, vista por essa lente, não precisa ser lida como um exercício de simplificação. Pode ser lida como um esforço de tradução. Zema tenta traduzir para o palco nacional aquilo que o tornou competitivo em Minas: a imagem de gestor que prefere falar de conta, eficiência e resultado antes de se apresentar como fabricante de esperança abstrata. Em Minas, o governo estadual sustenta que fechou 2025 com equilíbrio fiscal pelo quinto ano consecutivo e com cumprimento dos pisos constitucionais de saúde e educação. Isso, por si só, não resolve todas as perguntas sobre sua capacidade nacional, mas ajuda a explicar por que ele insiste em vender experiência administrativa como ativo político central.

Há ainda um dado decisivo da cena brasileira. A polarização continua de pé, mas já não resolve tudo sozinha. Pesquisas recentes mostraram um quadro apertado entre Lula e Flávio Bolsonaro em cenários de segundo turno, sinal de que o país segue dividido e emocionalmente saturado. Nesse terreno, Zema tenta se apresentar como um nome de direita com sotaque de gestão, procurando ocupar um espaço entre o lulismo desgastado e o bolsonarismo de confronto permanente. Ao reafirmar que manterá sua pré-candidatura até o fim, ele deixa claro que não quer ser apenas peça auxiliar de outro projeto; quer testar se existe no eleitorado uma demanda por uma direita menos messiânica e mais administrativa.

Isso não significa ignorar os riscos dessa estratégia. O embate com o Supremo, por exemplo, dá visibilidade, mobiliza parte do eleitorado e amplia seu alcance nacional. Na entrevista ele voltou a criticar ministros do STF, reagiu ao pedido de inclusão de seu nome no inquérito das fake news e afirmou que há integrantes da Corte que querem “calar” críticos, além de dizer que decisões monocráticas afrontam o Congresso. Esses movimentos o colocam no centro de um debate que hoje rende manchete e militância.

Mas, numa leitura mais realista da cena brasileira, esse confronto não nasce do nada nem pode ser visto apenas como radicalização pessoal. Ele reflete uma crise mais ampla de confiança entre Poderes, de cansaço com decisões concentradas e de percepção, em parcelas expressivas do eleitorado, de que a política formal perdeu capacidade de representação. Zema percebeu esse ambiente e decidiu falar para ele. Não é necessariamente o criador desse mal-estar; é, em grande medida, um beneficiário político dele. E talvez resida aí a parte mais relevante da entrevista. Ela mostra menos um Zema inflamado e mais um Zema atento ao humor de um país que se sente comprimido entre imposto alto, serviço ruim, baixo crescimento e conflito institucional quase diário.

No fundo, a entrevista sugere que a candidatura de Zema tenta se alimentar de três esgotamentos simultâneos do Brasil. O esgotamento fiscal, porque a conta pública está mais dura e o próximo governo terá pouca margem para voluntarismos. O esgotamento político, porque a polarização já não entrega solução, apenas adrenalina. E o esgotamento institucional, porque o país se habituou a viver sob tensão permanente entre os Poderes. Esses três vetores ajudam a entender por que um discurso mais seco, menos ornamental e mais administrativo encontra eco crescente.

Romeu Zema não quer se apresentar como salvador, nem como caricatura de austeridade, tenta se apresentar como o candidato da realidade num país viciado em fantasia. O problema é que a Presidência da República não será conquistada apenas por quem descreve corretamente o tamanho do incêndio. Ela será disputada, de verdade, por quem convencer o eleitor de que sabe apagar o fogo sem deixar o país inteiro em cinzas.

Compartilhar matéria

Gostou desta notícia?

→ Comece seus dias sempre atualizado com o que rola de relevante nos negócios, economia e tecnologia em Minas Gerais, no Brasil e no Mundo.

98 News Paulo Leite

Siga no

Paulo Leite

Paulo Leite

Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks. Apresentador do programa Café com Leite.

Webstories

A história do jogo de Campeonato Mineiro que Ronaldo Fenômeno nunca esqueceu

Cinco ‘podrões’ imperdíveis na Grande BH

Mais de Entretenimento

Mais de 98 News

EUA atacam navio iraniano e mercado monitora cessar-fogo

Sony pede fim de comerciais longos antes dos filmes no cinema

Indústria 5.0: como as fábricas sem humanos mudam o mercado

Lei de Uso do Solo em BH: entenda como a cidade cresce

Sedentarismo: saiba como sair da inatividade com passos diários

Novo híbrido chinês faz 45 km/l e supera motores comuns

Últimas notícias

Zema diz que seu discurso soa como ‘ameaça para parasitas’

‘O que fizeram em El Salvador é o que temos que fazer no Brasil’, diz Zema sobre combate ao crime

Zema reage a pedido de Gilmar Mendes de inclusão no inquérito das fake news

‘O povo está no lixo, e os intocáveis no luxo’, afirma Zema

Empresa dos EUA compra Serra Verde, mineradora brasileira de terras raras

BNDES e ministérios assinam com Alemanha intenção de aporte de até R$ 4,1 bi no Brasil

Custo Brasil trava crescimento e expõe falhas na ação do poder público

Atleta brasileiro conquista o Laureus, o ‘Oscar do Esporte’, em 2026

Carlos Alcaraz é eleito melhor atleta do mundo em 2026

  • Notícias
  • Auto
  • BH e Região
  • Brasil
  • Carreira
  • Meio Ambiente
  • Mercado
  • Minas Gerais
  • Mundo
  • Política
  • Tecnologia
  • Esportes
  • América
  • Atlético
  • Cruzeiro
  • Futebol em Minas
  • Futebol no Brasil
  • Futebol no Mundo
  • Mais Esportes
  • Seleção Brasileira
  • Entretenimento
  • Agenda
  • Cinema, TV e Séries
  • Famosos
  • Nas Redes
  • Humor
  • Música
  • Programas 98
  • No Fundo do Baú
  • Central 98
  • 98 Esportes - 1ª edição
  • 98 Dá O Play
  • 98 Futebol Clube
  • Graffite
  • Talks
  • 98 Esportes - 2ª edição
  • Jornada Esportiva
  • Os Players
  • Matula
  • Buteco
  • Redes Sociais 98
  • @rede98oficial
  • @rede98oficial
  • /rede98oficial
  • @98live
  • @98liveesportes
  • @98liveshow
  • @rede98oficial
  • Redes Sociais 98 News
  • @98newsoficial
  • @98newsoficial
  • /98newsoficial
  • @98newsoficial
  • /98-news-oficial

Baixe Nosso Aplicativo

Siga a Rede 98 no

  • Ao Vivo na 98
  • Contato
  • Anuncie na 98
  • Termos de Uso e Política de Privacidade

Rede 98 © 2021-2025 • Todos os direitos reservados

Avenida Nossa Senhora do Carmo, 99, Sion - 30.330-000 - Belo Horizonte/MG

  • Ao vivo
  • Plateia 98
  • Assine a Update
  • Notícias
  • BH e região
  • Brasil
  • Economia
  • Meio Ambiente
  • Mercado Automotivo
  • Mundo
  • Política
  • Saúde
  • Tecnologia
  • Esportes
  • América
  • Atlético
  • Cruzeiro
  • Futebol no Mundo
  • Mais Esportes
  • Olimpíadas
  • Seleção Brasileira
  • Entretenimento
  • Agenda
  • Famosos
  • Gastronomia
  • Humor
  • Música
  • Redes