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A vacina de Cleitinho diante da gestão de Mateus Simões

Por Marina Schettini • Rede 98
15/10/2026 18:05 Atualizado há 2 horas
MATEUS E CLEITINHO
Na foto, Cleitinho e Mateus Simões (Foto 1: Júlio Dutra - Foto 2: Alfredo Neto/PMU)

Governo novo que não aponta problemas de seu antecessor pode não ter como se explicar no futuro. É com essa máxima que a equipe do governador eleito Cleitinho se movimenta agora. A ideia é criar uma vacina para o caso de as previsões de um aperto ainda maior nas contas do ano que vem se confirmarem. É, na prática, ter alguém para culpar caso não consiga cumprir promessas de campanha ou sequer pagar os salários dos servidores. Foi exatamente o que fizeram Romeu Zema e, depois, Mateus Simões durante os oito anos à frente do governo de Minas. No caso deles, apoiaram-se na herança de Fernando Pimentel para justificar praticamente tudo. A resposta deles, no caso de agora, é que Cleitinho sabia exatamente o que enfrentaria quando se candidatou e que, portanto, não poderia reclamar.

O foco da vez de Cleitinho é cobrar explicações de Mateus sobre o Orçamento de 2027. Com déficit antes previsto em R$ 8,87 bilhões, agora o rombo chega a R$ 10,5 bilhões, aproximando-se dos R$ 11,2 bilhões deixados pela gestão de Pimentel. Cleitinho usou a tribuna do Senado nesta quinta-feira para tornar pública a cobrança. Pediu humildade ao governador e disse que “qualquer coisa que ele estiver fazendo achando que vai prejudicá-lo pessoalmente vai acabar atingindo a população mineira”.

Antes disso, a equipe do governador eleito já havia protocolado um ofício cobrando justificativas para medidas que aumentam despesas no período que antecedeu a eleição e também após a derrota de Mateus para Cleitinho. O temor é que, com o déficit, o Estado perca o benefício previsto no Propag e tenha que voltar a pagar juros da dívida com a União, complicando ainda mais a situação de Minas.

E, para piorar, aliados de Cleitinho acusam Mateus de ter jogado a toalha e de abandonar o governo em meio à transição. O governador participa de uma missão internacional entre 29 de outubro e 28 de novembro e vai deixar o comando da transição com Tadeuzinho, presidente da Assembleia Legislativa. A comparação que vira e mexe volta em Minas é com Eduardo Azeredo, que, em 1997, viajou à Europa no mesmo período em que o Estado enfrentou uma enchente histórica, que matou ao menos 80 pessoas. Guardadas as devidas proporções, é essa a discussão.

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Marina Schettini
Marina Schettini
Jornalista com passagens pelos jornais O Tempo e Super Notícia. Formada pelo Uni-BH com especialização em culturas midiáticas pela UFMG, tem a política como sua principal área de atuação.