Um levantamento do Observatório de Pesquisa e Estudos em Vacinação, da Escola de Enfermagem da UFMG, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, identificou grandes diferenças na cobertura da vacina contra o HPV entre cidades mineiras.
A pesquisa analisou dados dos 853 municípios do estado entre 2014 e 2022 e aponta que apenas cerca de 10% dos adolescentes de 9 a 14 anos receberam o esquema completo da vacina.
Os pesquisadores também identificaram menor adesão entre os meninos. Enquanto muitos municípios atingiram a meta da primeira dose entre meninas, o número de cidades que alcançou o objetivo no público masculino ainda é bem menor.
Segundo a professora da Escola de Enfermagem da UFMG e líder do observatório, Fernanda Penido, a desinformação é um dos principais fatores que explicam a baixa vacinação entre os meninos.
“Muitos desconhecem os riscos da doença e por isso não se vacinam, ou seja, acredita-se erroneamente que o vírus afeta apenas mulheres, ou seja, falta-se conhecimento, especialmente de que a vacina é segura, de que a vacina é eficaz e protege também os homens contra cânceres de pênis, ânus ou o faringe e obviamente contribui para uma proteção que perpassa a dimensão individual, ela tem uma responsabilização coletiva.”
O estudo também identificou diferentes perfis regionais de cobertura vacinal. Em alguns municípios mais urbanizados, com melhores condições socioeconômicas, os índices de vacinação são mais altos. Já em regiões com maior vulnerabilidade social, os pesquisadores observaram menor adesão à imunização e mais dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
A vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo SUS e para meninas e meninos entre 9 e 14 anos. Desde o ano passado, o Brasil adotou o esquema de dose única para essa faixa etária.
