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Brasil perde 322 mil cargos de gerência em seis anos

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(Foto: Imagem gerada por inteligência artificial).

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O Brasil fechou 322 mil postos de gerência e diretoria nos últimos seis anos, segundo dados do Caged compilados até 2025. O movimento vai na contramão do mercado formal como um todo, que criou 9 milhões de vagas com carteira assinada no mesmo período. Apenas em 2024, o saldo negativo para cargos de liderança foi de 112 mil vagas, reforçando uma tendência de enxugamento no alto escalão das empresas.

O avanço da tecnologia é um dos principais fatores por trás dessa mudança. Dados do IBGE mostram que o percentual de empresas brasileiras que utilizam inteligência artificial no dia a dia saltou de 17% em 2022 para 42% em 2024. Para o professor e diretor do Núcleo de Inovação em IA da Fundação Dom Cabral, Hugo Tadeu, a adoção dessas ferramentas impacta diretamente as estruturas organizacionais.

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“A adoção de tecnologias baseadas em análise de dados e inteligência artificial tem reduzido a quantidade de gerentes e diretores nas empresas. A explicação está na busca por redução de custos e ganho de produtividade.”

Segundo ele, a substituição de tarefas repetitivas por sistemas digitais tem promovido revisão nas cadeias de comando. “No lugar de muitas pessoas executando processos que máquinas e softwares conseguem fazer, as empresas passam a priorizar eficiência e redução de custos.”

Para o economista da 98 News, Gustavo Andrade, no entanto, a tecnologia é apenas parte da equação no caso brasileiro. “Se fosse nos Estados Unidos, com custo de capital mais baixo e produtividade maior, talvez a tecnologia explicasse grande parte da equação. No Brasil, eu acho que é só parte dela.”

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Ele avalia que o fator central está na necessidade de ajuste financeiro das empresas. “Aqui é muito mais direto ao ponto. É decisão de otimização de estrutura de custo e de entrega de resultados. É sobrevivência.” Gustavo compara o momento atual a um novo ciclo de reorganização corporativa. “Nos anos 80 e 90 falava-se em reengenharia de processos. Hoje é reengenharia de custos. É papel de pão e lápis para reorganizar a estrutura.”

Para ele, a transformação é inevitável e acompanha um movimento global de automação. “Não há como querer resgatar funções que deixaram de existir. A inteligência artificial é uma potência de transformação. Ela muda a velocidade de produção, a capacidade de análise de dados e vai se especializando cada vez mais.”

Mesmo com a redução dos cargos de chefia, especialistas apontam que há espaço para profissionais que consigam se adaptar. A recomendação é investir em qualificação tecnológica e desenvolver habilidades estratégicas e de liderança que não sejam facilmente substituídas por algoritmos.

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Kellen Lanna

Jornalista graduada pela UFSJ. Supervisora de distribuição na 98 FM/ 98 News.

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