Quando um político decide se lançar candidato, há sempre uma motivação. E ela não é necessariamente a de se eleger para o cargo que está disputando. Na eleição deste ano para o governo de Minas, não parece ser diferente.
Muito se fala, nos bastidores, da falta de energia e de disposição de Patrus Ananias, do PT, para tocar a campanha. Também chama a atenção a distância que ele e sua equipe têm cultivado de situações menos controladas.
No caso de Patrus, a avaliação é de que a candidatura do petista está cumprindo um propósito — e só um: fazer palanque para Lula no segundo maior colégio eleitoral do país.
Depois da recusa de Rodrigo Pacheco, Lula aceitou ficar com apenas um palanque em Minas. Se a preocupação fosse o desempenho eleitoral do PT no estado, o partido teria construído o nome de Marília Campos desde o início, lá atrás, quando Pacheco dava sinais contraditórios havia mais de um ano e Marília, ainda no mandato na Prefeitura de Contagem, começava a se movimentar para buscar uma vaga ao Senado.
Mas Marília não teve o apoio que merecia — ou, ao menos, esperava — do partido. O raciocínio é que o PT não tem esperança de ganhar o governo de Minas por causa do desgaste da gestão de Pimentel. E o fato de Minas ter se tornado, nos últimos anos, um estado cada vez mais à direita e conservador torna essa vitória ainda mais difícil.
Mas a candidatura de Patrus e, principalmente, sua chegada ao segundo turno são essenciais para o projeto nacional do PT. Lula precisa garantir um palanque forte no estado que concentra 10% do eleitorado do país justamente em uma etapa da disputa em que eleitores e parlamentares que trabalham pela vitória de Lula já estarão menos mobilizados.
Se essa leitura estiver correta, a pergunta que fica é: qual é, afinal, o objetivo da campanha de Patrus ao governo de Minas? Disputar o governo ou garantir a Lula um palanque até o fim da eleição?
