Até quando vai durar a versão paz e amor dos candidatos na disputa pelo governo de Minas? Com as pesquisas mostrando Cleitinho à frente na casa dos 30% das intenções de voto nos cenários estimulados, fica a pergunta se quem disputa voto com ele não vai mudar a estratégia e partir para o ataque.
Quem orbita pelas campanhas aposta que, pelo menos por enquanto, a virada de chave para tentar desconstruir o primeiro colocado terá que vir de Mateus Simões. O raciocínio é que as críticas devem partir dos bolsonaristas, já que a intenção de votos do Cleitinho vai crescendo à medida que o espectro ideológico dos eleitores vai se aproximando deles. Na Quaest desta semana, por exemplo, o candidato tem 21% entre aqueles que dizem ser lulistas e 48% entre os que se identificam como bolsonaristas. Flávio Roscoe, representante oficial do PL, tem 9% nesse último grupo.
Do resto das campanhas, a ideia é “deixa para o Mateus bater, sem fazer o trabalho que deveria ser dele”. Isso porque o governador seria o mais interessado em travar essa batalha. Além da máquina, Mateus investiu energia demais nos últimos anos tentando cativar o público (eleitores e políticos) bolsonaristas para não empenhar agora todos os recursos a seu favor diante de suas intenções de voto ainda baixas. Ele tem coligação maior, dinheiro, marqueteiro experiente e “um filme na televisão”, em referência aos 30% da propaganda eleitoral no rádio e na TV.
Passados os primeiros dias de apresentação no rádio e na TV, a expectativa é que o governador centre fogo não tão agressivamente, mas plantando a sementinha da desconfiança no eleitor: Será que esse personagem de rede social está à altura do cargo de governador? Com aquele vai e vem dele para definir a candidatura, será que ele tem estabilidade emocional para cuidar de um Estado relevante e endividado como Minas Gerais? Ele é boa gente, mas você já viu com quem ele anda e os escândalos nos quais seus companheiros estão envolvidos?
Roscoe, que também disputa o grosso do eleitorado de Cleitinho, deve deixar as críticas para a reta final da campanha, caso sua candidatura se mostre minimamente competitiva. A ideia é acompanhar trackings e, se for o caso, partir para uma estratégia não tão agressiva. O raciocínio é que vendê-lo como gestor mais experiente que Cleitinho seria uma maneira fácil de atacá-lo sem errar a mão, já que os dois formam palanque duplo para Flávio Bolsonaro. Seria difícil explicar ataques na jugular.
O ideal seria apresentar um gestor preparado, pai de família e amigo de verdade de Jair Bolsonaro, diferentemente do que chamam de bolsonaristas de ocasião. Já na campanha de Cleitinho, a defesa de apoiadores é manter a postura boa praça do senador e ir respondendo caso os números do senador indiquem algum abalo.