Isso é uma coisa que só vamos descobrir quando as urnas forem abertas, em 4 de outubro. Até porque, se tem uma eleição que é uma caixinha de surpresas, é a do Senado — especialmente quando há duas cadeiras em jogo.
Mas o que já vem acontecendo é um famoso “eu te disse” para Marília Campos dentro do PT. Ela não teria articulado a candidatura de Marécio, mas deixou que ele corresse pelo Estado, defendendo que votos a gente aceita independentemente de onde vierem. O problema é que, com seu pragmatismo, a ex-prefeita parece ter calculado mal um outro efeito desse movimento: Aécio também lucraria. E Aécio tem os votos do público que ela vinha trabalhando há meses.
Quando pede votos nas dobradinhas para nomes de direita — ou de centro-direita, se pensarmos apenas em Aécio Neves —, Marília pede votos para candidatos que vêm crescendo e têm chances de ganhar. Foi o aviso que recebeu desde a entrada do tucano na disputa: “Esse pessoal pode ganhar. Inclusive dela”. E não deu outra. Os concorrentes estão crescendo e se aproximando dos percentuais de Marília, que parece ter estagnado.
Na época, foi feita a defesa — que inclusive tratamos aqui — de que Marília mudasse a rota de sua campanha mais para a esquerda e passasse a fazer campanha para Áurea Carolina (PSOL). Se pedisse votos para sua companheira de chapa, que não teria viabilidade, tiraria votos dos concorrentes sem transferi-los para alguém que realmente pudesse vencê-la.
A seu favor, vale frisar, está o fato de que os concorrentes dividem os votos da direita, o que pode beneficiá-la. Mas poderia ajudá-la ainda mais se sua estratégia não levasse votos a concorrentes reais.
Há ainda um dado importante: no levantamento espontâneo, aquele que mostra a consolidação dos votos, a última Quaest mostrou que os indecisos somam 74%. O que significa que a eleição ainda está aberta. Mas as pesquisas mostram um movimento que não pode ser ignorado.
E fica a pergunta: dá tempo de recalcular?