Cleitinho enfeitiçou todo mundo? Eleito já no primeiro turno para o governo de Minas, o hoje ainda senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) está com tudo e não está prosa. Depois de passar ileso pelas críticas a respeito de seus aliados e pelos questionamentos sobre o uso de aeronaves durante sua campanha, tem recebido acenos de deputados estaduais de campos divergentes que não se colocaram, pelo menos por enquanto, como oposição a ele na Assembleia Legislativa a partir do ano que vem.
Depois de dois governos de Romeu Zema marcados por muita dificuldade de relacionamento, embates constantes, trocas de secretário de Governo e pauta travada, Cleitinho pode assumir, no ano que vem, com uma relação bem mais amena com os parlamentares.
De um lado, o PL sinaliza que vai condicionar o tamanho do abraço ao novo governador ao empenho dele na eleição de Flávio Bolsonaro. Cleitinho já declarou voto em Flávio, mas a campanha espera que ele participe ativamente da busca por votos agora no segundo turno. Mesmo que isso não ocorra, o partido iria naturalmente para a base do novo governador por uma questão de espectro ideológico e da defesa das pautas conservadoras. E da popularidade de Cleitinho, claro.
O PT, do lado oposto do espectro e, portanto, opositor mais natural de Cleitinho, evita discutir a posição da bancada na Assembleia. O discurso brando é uma estratégia para evitar críticas do governador eleito, tido como imprevisível, a Lula. Cleitinho teve muitos votos da esquerda e tem um eleitorado ligado emocionalmente a ele. Mas como o futuro governador defende pautas mais ligadas à direita, vai contar, como consequência, com o apoio da bancada em grande parte de sua agenda.
Resta agora saber se o perfil popular e de pouco enfrentamento na costura política vai dar a ele uma vida tranquila na relação com o Legislativo. Se não terá oposição, mas contará com um grupo maior de parlamentares na bancada independente. Ou se passado a eleição, Cleitinho vai conhecer os desafios dos chefes de Executivo diante de Legislativos cada vez mais empoderados.